Empresa lança pílula de tomate para combate ao colesterol

[img:090601144429_tomate_226.jpg,full,alinhar_dir_caixa]O licopeno é pouco absorvido quando ingerido ao natural[*]

Uma empresa de biotecnologia vinculada a Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha, está lançando, nesta segunda-feira, um suplemento natural feito de tomates que pode ajudar a combater o colesterol.

O Ateronon contém um ingrediente ativo das dietas comuns na região do Mediterrâneo – o licopeno, um antioxidante que dá a cor avermelhada ao tomate e que auxilia no bloqueio do colesterol LDL, o chamado “mau colesterol”.

Apesar dos potenciais benefícios, a substância é pouco absorvida quando ingerida ao natural. A pílula, portanto, traz uma versão mais refinada e de maior absorção. [*]

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Planta transgênica pode produzir substância contra o HIV

[img:transg_115.jpg,full,alinhar_esq_caixa] Quem diria que, para combater o vírus da Aids, os cientistas fossem lançar mão do tabaco? Claro que não como fumo — uso que faz sabidamente terrível mal à saúde e não teria meio de combater o patógeno –, mas como maneira de produzir um microbicida suficientemente agressivo para, na forma de gel, “desarmar” o HIV.

Já se sabe há algum tempo que uma substância batizada de griffithsina (mais conhecida pela sigla GRFT), produzida naturalmente por algas vermelhas, age como um eficiente inibidor contra o vírus da Aids. Em contato com o HIV, ele quase imediatamente desativa a capacidade do vírus de contaminar células humanas. Ele é, portanto, uma substância candidata a compor um gel que, aplicado na mucosa vaginal ou anal, poderia prevenir a infecção.

Ocorre que sua produção atualmente é complicadíssima e cara demais — muito mais cara do que simplesmente adotar a medida convencional mais barata de prevenção contra o HIV, que é o uso de camisinha.

Foi aí que entrou o grupo de Kenneth Palmer, da Universidade Louisville e da companhia Intrucept Biomedicine LLC, ambas dos Estados Unidos. Eles afirmam que, usando um vírus para alterar geneticamente plantas da espécie Nicotiana Benthamiana (vegetal herbáceo originário da Austrália, rico em nicotina e outros alcalóides), elas passaram a produzir a griffithsina em copiosas quantidades — mais de 1 grama por quilo de folhas da planta.

Com informações do G1

Fonte: [ Correio do Estado ]

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Nota do editor: atenção para a armadilha das informações misturadas!

Primeiro eles tentaram jogar na mídia que os transgênicos seriam a salvação para a fome no mundo. Aí vieram os estudiosos e provaram que o problema da fome se deve, pelo menos em grande parte, à ineficiência da distribuição de alimentos.

Depois tentaram dizer que iríamos comer tomates transgênicos medicinais. Pura falácia, pois todo mundo sabe que uma longa exposição àlgum tipo de medicamento nos torna resistentes à medicação.

Agora eles vem com esse papo de que os transgênicos poderão produzir substâncias contra a AIDS, apelando para o medo generalizado da doença e para o alto custo de produção da substância.

Quem entende um pouco de economia sabe que o que define preço em mercado é demanda. Chama-se Lei da Oferta e Procura. Quanto maior a demanda, maior é a produção, menor é o preço. Quando a oferta é rara, o preço torna-se exorbitante para pessoas comuns.

Como a substância já existe em algas vermelhas, naturalmente. nada mais ecologicamente correto do que selecionar ao longo dos anos as variedades que produzem mais quantidade de GRFT, melhorar as técnicas de extração e aumentar a produção dessas algas.

E cultivar algas não é coisa tão difícil assim, ou é?

Pesquisador investiga metabolismo da cana-de-açúcar

Objetivo é elevar produtividade da planta

[img:EcoBras_Cana.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Entender as redes de interações ligadas ao metabolismo da cana-de-açúcar é fundamental para o desenvolvimento da desejada planta mais produtiva do futuro. A plântula – embrião anterior à formação das primeiras folhas – pode ser um modelo útil para estudar a cana com essa abordagem de sistemas biológicos, de acordo com Marcos Buckeridge, do Departamento de Botânica do Instituto de Biociências (IB) da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo Buckeridge, o Laboratório de Fisiologia Ecológica de Plantas (Laifeco) do IB-USP, fundado e dirigido por ele, tem realizado, em plântulas, estudos sobre o metabolismo dos carboidratos da cana-de-açúcar.

Ele apresentou um trabalho feito com plântulas e focado no papel da giberelina – um hormônio que estimula o alongamento e a divisão celular nas células de plantas – no metabolismo da cana-de-açúcar. O estudo correspondeu à tese de doutorado da pesquisadora Andrea Brandão, do Laifeco.

Segundo Buckeridge – um dos responsáveis pela seção de Biomassa do BIOEN e um dos coordenadores da área de biologia da Fapesp – a síntese de giberelina é necessária para que a plântula cresça, as células alonguem e a sacarose seja produzida.

– Quando inibimos a síntese do hormônio, a planta não produziu açúcar e a parede não se modificou. Quando aplicamos o hormônio, vimos que uma parte da planta estendeu mais do que a outra, o que é uma alteração importante na parede celular.

O estudo mostra que o modelo pode permitir o entendimento de mecanismos da extensão celular que são muito importantes para que a planta armazene o açúcar ao crescer.

– Essa abordagem também poderá ser importante para desenvolver o etanol celulósico, já que permite estudar os mecanismos de extensão da parede celular. Com esse conhecimento poderemos afrouxar essa parede e viabilizar a produção do etanol – disse.

De acordo com o cientista, o trabalho concluiu não apenas que a giberelina aumenta a quantidade de sacarose na cana e induz a mudanças na parede celular, mas também permitiu demonstrar que as plântulas são um bom modelo para estudar a divisão celular e a abordagem de sistemas biológicos.

– Precisamos muito de um modelo que permita entender melhor a bioquímica da cana-de-açúcar. Pouca gente trabalha com as plântulas, porque é muito difícil conseguir sementes. Mas a grande vantagem é que há um número menor de células, com uma bioquímica menos complicada e uma ótima possibilidade de conhecer a expressão gênica – explicou.

Os mecanismos presentes na plântula são muito parecidos com os que ocorrem na planta inteira.

– Por isso, quisemos lançar a idéia de utilizar a semente e a plântula como modelo para estudar alguns fenômenos de modo a, em seguida, passar ao colmo, à folha e à flor para entender melhor o funcionamento do sistema metabólico – disse.

O estudo, de acordo com Buckeridge, mostrou que o modelo de plântulas pode ajudar a entender a síntese da parede celular. Nessa fase da vida da planta, todo o aparato sintético está funcionando.

– A germinação é um período de intensificação de divisão celular e a giberelina é um indutor de divisão. A plântula é exatamente onde ocorre a síntese da parede, porque quando a célula se divide ela tem que fazer uma parede celular nova – explicou.

Para Buckeridge, ao entender a síntese das paredes celulares, os geneticistas e biólogos moleculares poderão desenvolver plantas com polissacarídeos atualmente inexistentes na cana-de-açúcar, mas que serão introduzidos a fim de facilitar a hidrólise do etanol celulósico.

– No futuro, com a transcriptômica e a metabolômica, com a simples aplicação de giberelina em plântulas poderemos ver como as redes de interação dos sistemas da planta mudam seu padrão de conexão – afirmou.

AGÊNCIA FAPESP

Fonte: [ Canal Rural ]

CTNBio aprova plantio de algodão transgênico da Dow

[img:transg_115.jpg,full,alinhar_esq_caixa]SÃO PAULO (Reuters) – A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou nesta quinta-feira o plantio comercial do algodão transgênico WideStrike, com tecnologia resistente a insetos, da Dow AgroSciences Industrial, divisão da Dow Chemical.

A variedade foi aprovada por 15 votos dos integrantes da CTNBio, recebendo ainda cinco contrários.

Essa foi a primeira aprovação de transgênico do ano.

“O WideStrike contribui para uma agricultura com práticas mais sustentáveis porque controla a maioria das pragas danosas ao algodão”, afirmou o diretor de Sementes e Biotecnologia da Dow no Brasil, Rolando Alegria, em um comunicado.

Com o transgênico, o produtor pode reduzir o número de aplicação de inseticidas nas lavouras.

Antes de estar disponível, a tecnologia passou por rigorosos testes em várias regiões do país e por análises de laboratório, ressaltou a Dow AgroSciences, lembrando que o produto já é cultivado desde 2004 nos Estados Unidos, onde o óleo e o farelo produzidos a partir das sementes foram aprovados para uso na alimentação humana e animal.

O WideStrike, que controla pragas do algodoeiro como a lagarta-do-cartucho, a lagarta-da-maçã e o curuquerê, também está aprovado para alimentação humana e animal no Canadá e no Japão e para alimentação humana no México, Coréia do Sul e Austrália, segundo a empresa.

O Brasil já conta com autorização para o plantio de algodão transgênico com tecnologias patenteadas por outras empresas (Bayer e Monsanto), além de diversas sementes de milho geneticamente modificado e uma de soja.

O algodão WideStrike, por sua vez, usa a tecnologia Bt, também presente no algodão Bollgard, da Monsanto, também aprovado no Brasil.

“Isso é interessante. Com os mesmos produtos de diferentes empresas, o agricultor pode escolher o que quer plantar. Isso faz que haja uma competição para vendas de sementes positiva para o agricultor. Ele pode ter um preço diferenciado”, afirmou a especialista Alda Lerayer, diretora-executiva do CIB (Conselho de Informações sobre Biotecnologia).

Alda lembrou que o produtor já tem a sua disposição tecnologias semelhantes para o milho transgênico de diferentes empresas, o que também é positivo.

Na última sessão em que foi autorizada uma liberação comercial, em dezembro do ano passado, também um produto da Dow, desenvolvido em parceria com DuPont (o milho transgênico Herculex) recebeu autorização para plantio comercial. .

Muitas variedades aprovadas ainda estão em processo de multiplicação de sementes. Os produtos com plantio mais desenvolvido são a soja Roundup Ready (RR) e o algodão Bollgard, ambos da Monsanto.

A atual safra também foi marcada pelo início do plantio comercial do milho transgênico.

(Reportagem de Roberto Samora; edição de Marcelo Teixeira)

Fonte: [ Reuters ]

E lá foi a minha cartinha…

[img:Imagem008.jpg,resized,centralizado]

Carta à CTNBio, pedindo o cancelamento do processo de liberação do arroz transgênico da Bayer.

Creio que se pelo menos umas 500 mil pessoas fizessem o mesmo, enviando uma carta registrada com aviso de recebimento (AR), o incômodo surtiria efeito.

Bem… Eu fiz a minha parte. E você?

Anderson Porto

Arroz transgênico [da Bayer]

[NOTA DO EDITOR: Bem… Fui tentar localizar um texto imparcial que ajudasse meus leitores a entender a polêmica sobre a liberação do arroz transgênico da Bayer e do agrotóxico Glufosinato de Amônio. Infelizmente, não consegui, pois tanto o Greenpeace quando as empresas de “ciência” se mostraram totalmente parciais. Peço então o favor de ler os meus comentários dentro de colchetes, inseridos ao longo do texto e no final, pois tentarei dirimir algumas dúvidas que ficam soltas no ar.]

Indústria vive o dilema entre alcançar uma maior produtividade e garantir a segurança do consumidor

Erik Stein Bernardes

[img:arroz_526.jpg,full,alinhar_esq_caixa]O desenvolvimento tecnológico da indústria alimentícia vive novamente o dilema de estar entre alcançar uma maior produtividade com rentabilidade e garantir a segurança do consumidor. Os vegetais sofrem alterações genéticas com objetivos diversos. Resistir a produtos químicos que combatem pragas, desenvolver-se de forma satisfatória mesmo com escassez de água e obter mais produto com menos espaço físico são alguns dos objetivos que têm os cientistas ao fazer tais modificações. [ Na verdade configura-se VENDA CASADA: planta patenteada (royalties) da empresa + agrotóxico / herbicida que é utilizado em conjunto, criado e/ou produzido pela mesma empresa. A venda casada é proibida pela legislação do Brasil. ]

O consumo de arroz, por exemplo, é responsável por uma movimentação impressionante. O cereal que alimenta metade da população do mundo necessita de muita água para irrigação e fica atrás apenas do cultivo do milho e do trigo em área plantada. Em 2005, a área plantada era de 153.434.464 hectares e foram produzidas 618.440.644 toneladas de arroz. O Brasil, que está entre os 10 principais produtores, colheu 3.579 quilos por hectare em 2004, quantidade superior à registrada nos anos anteriores. O cereal da qualidade agulhinha Tipo1 é o mais consumido entre os brasileiros e faz parte da dieta básica, juntamente com o feijão. Rico em amido, o arroz é uma ótima fonte de energia, de minerais como o ferro, as vitaminas B e proteínas.

Enquanto algumas empresas do setor defendem a metodologia das pesquisas e a aplicação prática dessa tecnologia dizendo ser esse o caminho para o futuro, grupos de defesa do meio ambiente são contrários a esse uso, pois alegam não haver pesquisa suficiente que comprove ser seguro ao consumidor o uso de tais tecnologias para a alimentação de humanos e animais.

A discussão chegou à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), instância colegiada multidisciplinar [estranhamente a CTNBio não possui, em sua composição, especialistas lotados nos cargos / áreas de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente, Agricultura Familiar e Saúde do Trabalhador. Favor conferir no próprio site da CTNBioMUITO ESTRANHO isso !!! ], criada com a finalidade de prestar apoio técnico consultivo e de assessoramento ao Governo Federal na formulação, atualização e implementação da Política Nacional de Biossegurança. Enquanto a agência que controla o uso da biotecnologia no Brasil não der o seu consentimento, nenhum produto transgênico pode ser plantado ou comercializado no território brasileiro.

Busca pela verdade

A bola da vez é o arroz transgênico produzido pela Bayer Cropscience. Este produto transgênico utiliza a tecnologia LibertyLink da empresa alemã para resistir ao herbicida Glufosinato de Amônio, que controla pragas daninhas nas plantações.

A empresa não quis se pronunciar quando procurada pela redação da revista, porém informou em nota através de sua assessoria que “a Bayer CropScience entrou com o pedido de comercialização de três produtos com a tecnologia LibertyLink, o milho, o algodão e o arroz. No momento, o milho é o que está em discussão na CTNBio. Por isso, a empresa não se pronunciará sobre os produtos que ainda não entraram na pauta.” Ressaltou ainda que “vale lembrar que o LibertyLink é uma linhagem diferente da que é vendida nos Estados Unidos“.

O relatório publicado pelo Greenpeace em janeiro deste ano denominado “Colapso na Indústria de arroz”, denuncia a contaminação dos estoques mundiais de arroz com os tipos LLRrice601, Bt63 LLrice62 desenvolvidos pela Bayer Cropscience e não aprovados para o consumo humano ou animal em diversas partes do mundo.

As principais empresas que comercializam o cereal no Brasil – Camil, Yoki e Josapar (empresa responsável pela marca Tio João) –, declararam em cartas ao Greenpeace publicadas no mesmo relatório que não compram ou vendem em nenhuma hipótese arroz geneticamente modificado, bem como não financiam pesquisas ou eventos relacionados a Organismos Geneticamente Modificados (OGM). As três brasileiras e outras de diversos países declaram acreditar que o consumidor não está seguro com relação à agrobiotecnologia utilizada no arroz.

[img:arroz_528.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Europa fechada

Um recente relatório publicado pelo Greenpeace analisou o uso de ingredientes e organismos transgênicos pela indústria de alimentos européia. A entidade, que faz campanha para que a liberação de transgênicos no meio ambiente seja banida, luta por uma agricultura sustentável livre de agrotóxicos e transgênicos.

A indústria de alimentos é um dos focos do Greenpeace na Europa desde 1996, quando a soja transgênica foi misturada pela primeira vez nas exportações de produtos alimentícios dos EUA para a Europa. Na época, a maior parte dos produtores e varejistas de alimentos possuíam uma política de apoio ao uso de ingredientes transgênicos, não se preocupando com sua utilização, ou ignorando o assunto.

Nos anos seguintes, muitas empresas alimentícias européias e particularmente as associações comerciais afirmavam que as culturas transgênicas trariam benefícios em breve para os consumidores e que não havia qualquer forma de evitar sua utilização porque elas eram misturadas nos estoques das commodities soja e milho vindos dos EUA.

De acordo com o documento, houve um prolongado e às vezes intenso debate público, político e científico nos oito anos que se seguiram sobre os perigos das culturas transgênicas. A discussão obteve bons resultados, e um dos mais significativos foi a forte e consistente rejeição aos alimentos transgênicos por parte de consumidores bem informados, e a mudança que eles provocaram nas políticas da indústria européia de alimentos. Outro efeito foi a introdução das leis de rotulagem dos ingredientes transgênicos dos alimentos na Europa.

A nova legislação européia sobre rotulagem e rastreabilidade de alimentos geneticamente modificados entrou em vigor em 18 de abril de 2004 e determina que um maior espectro de ingredientes alimentícios transgênicos agora requerem rotulagem, o que é particularmente relevante, por exemplo, no caso do óleo de soja ou de milho.

O objetivo do Greenpeace ao elaborar o relatório era saber como as empresas estavam reagindo à legislação. Para isso, escritórios da organização na maioria dos países membros da União Européia – incluindo nações prestes a entrar no bloco – entraram em contato com importantes produtores e comerciantes de alimentos. Antes e depois da introdução das novas regras européias, foi pedida uma declaração da companhia sobre a política de uso ou não de ingredientes transgênicos em seus produtos alimentícios.

Para embasar o documento, foram utilizadas as respostas dos 30 maiores varejistas e de uma seleção de 30 dos maiores produtores de alimentos e bebidas na Europa. Muitas dessas companhias já haviam se antecipado à última legislação de rotulagem européia e implementaram políticas apropriadas para manter seus produtos livres de transgênicos, antes mesmo da introdução das novas regras. De fato, muitas empresas já possuíam políticas de não utilização de transgênicos cobrindo todos os possíveis ingredientes — incluindo, por exemplo, óleos vegetais e amido de milho — datando de 1999/2000 ou anos anteriores.

As declarações das empresas nas quais esse documento se baseia demonstram claramente que esse mercado é consideravelmente fechado para os produtos transgênicos rotulados.

A União Européia, com seus 455 milhões de consumidores, é um dos maiores mercados de alimentos do mundo em termos de valores. As vendas estimadas de alimentos e bebidas em 2002 na União Européia ampliada, mais Suíça e Noruega, atingiram o montante de 1,06 trilhões de euros.

Como reage o food service

Por não ser permitido o comércio, plantio e pesquisas de OGM, não há registro do uso desse produto pelos estabelecimentos e indústrias de alimentos voltados ao food service no Brasil. Contudo, a indústria alimentícia nacional se coloca contra o uso desse tipo de produto. Uma vez que existe a necessidade de muito investimento para a utilização, o produto final encareceria muito e haveria um grande prejuízo para o consumidor. “É preciso que exista uma política governamental acerca do tema, já que o arroz faz parte da dieta básica da população. Como o arroz está disponível a preço muito acessível e como é importante manter esse preço, um aumento dos custos industriais não seria aceitável”, declara a Josapar.

Bares e restaurantes que comercializam refeições e utilizam o arroz no preparo da alimentação preferem não tomar partido sobre o assunto. Apenas informam que prezam pela oferta de produtos de qualidade garantida com um preço justo, comercializando apenas artigos permitidos pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Isso impede uma análise da viabilidade em comercializar o OGM no momento.

De qualquer forma, o consumidor deve ficar sempre atento. Verificar a procedência do produto que irá ingerir para garantir que está seguro ao consumir determinado produto é fundamental para não correr riscos desnecessários. Além dos próprios rótulos dos produtos industrializados, a internet pode ser um bom recurso para inteirar-se a respeito da formulação de cada produto. O site das empresas informa a composição dos produtos, bem como a procedência de seus ingredientes.

A dúvida

Em todo caso, a questão principal que deve ser analisada nesta situação é a segurança no consumo dos organismos geneticamente modificados. [Não, não é esta a questão principal. O assunto deve ser considerado sob vários pontos de vista, e não apenas saber se faz mal ou não ao ser humano. Como estamos falando de plantas, meio ambiente e natureza, estamos falando de patentes, controle sobre sementes, agrotóxicos, cadeias alimentares, mutações, contaminações e consequências imprevisíveis. Estamos falando de um rol gigantesco de variáveis.]

Em que ponto está a pesquisa que trata desse tema? O consumo dos organismos modificados traz algum risco para a população mundial? Não há respostas certas para essas perguntas.

De um lado temos os proprietários da tecnologia, querendo comercializar seu produto e garantir seu lucro defendendo a produtividade e rentabilidade da agrobiotecnologia. De outro, os grupos ativistas ambientais, defendendo o uso de produtos naturais sem interferências tecnológicas como fator primordial para a segurança do consumidor.

Os testes continuam em andamento e o desenvolvimento das pesquisas ainda não chegou a conclusões certas sobre o assunto.

A opinião pública também se divide na mesma proporção. Qual a melhor a saída? Qual a melhor posição nessa briga de gigantes pela verdade no consumo de um dos alimentos mais importantes para a população mundial? Não podem existir dúvidas de a produtibilidade e rentabilidade na produção são tão importantes quanto a segurança do consumidor. Portanto, vale ter cuidado, paciência e vigilância para garantir que as autoridades competentes tomem a decisão correta sem influência de interesses particulares.

O que é o Liberty Link

Desenvolvida pela Bayer CropScience, Liberty Link é uma tecnologia agregada às sementes para auxiliar os produtores rurais a controlar as plantas daninhas nas lavouras. Esta tecnologia compreende variedades geneticamente modificadas que passam a ser mais uma alternativa para o controle de plantas daninhas, com o diferencial de permitir a utilização de um herbicida altamente biodegradável e eficiente, o Glufosinato de Amônio [Êpa! O glufosinato de amônio, desenvolvido pela Bayer, já foi contestado pela ANVISA em 2007 e proibido pela Comissão Européia – vale a pena ler o Relatório do Agrotóxico no site da ANVISA – lá você irá ler: Este produto é: Perigoso Ao Meio Ambiente (Classe III). Este produto é AL TAMENTE MÓVEL, apresentando alto potencial de deslocamento no solo, podendo atingir principalmente águas subterrâneas. Classificação Toxicológica: III – Medianamente tóxico ] em substituição a herbicidas antigos.

Esta variedade propiciaria aos agricultores uma alternativa para melhorar o controle do mato na lavoura e também do arroz daninho (mais conhecido como arroz vermelho), que prejudica o desenvolvimento e a uniformidade do produto final na aparência e no cozimento dos grãos. Vale ressaltar que os orizicultores costumam ter problemas com plantas daninhas resistentes e, em função disso, utilizam muitos herbicidas ou abandonam terras férteis para buscar terras novas para plantio.

Fonte: [ Food Service News ]

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Percebe-se que tanto o Greenpeace quanto as instituições governamentais estão sendo parciais ao comentar sobre o assunto. Por quê? Interesses econômicos, claro.

Plantas podem ser a chave do combustível renovável

BRASÍLIA – Um avanço poderá revolucionar a indústria da energia renovável tornando o hidrogênio, combustível limpo e abundante, mais barato e fácil de se produzir comercialmente. Pela primeira vez, pesquisadores australianos e americanos reproduziram a fotossíntese em laboratório exatamente como ela ocorre nas plantas, usando o sol para transformar água em hidrogênio e oxigênio. Há muitos anos, o hidrogênio tem sido considerado o combustível verde ideal, rico em energia e neutro em carbono.

A equipe desenvolveu um catalisador com moléculas de manganês, substância crítica para a fotossíntese no mundo vegetal, que utiliza água, dióxido de carbono e luz solar para produzir carboidratos.

– Esse método já tinha sido imitado antes, mas levamos este desenvolvimento um passo adiante, reproduzindo a habilidade dessas moléculas em converter a água em oxigênio e hidrogênio utilizando somente a luz do sol, uma potência elétrica e o manganês – afirmou Leone Spiccia, líder da pesquisa sediada na Universidade de Monash, na Austrália.

Energia química

A descoberta veio quando os cientistas revestiram um próton, chamado Nafion, em um eletrodo para formar uma membrana polimérica, com apenas alguns micrômetros de espessura, que atua como um hospedeiro para o complexo de moléculas de manganês.

– Normalmente insolúvel em água, quando vinculamos o catalisador de manganês dentro dos poros da membrana Nafion, ele foi protegido da decomposição. E o mais importante: a água pode atingir o catalisador, onde foi oxidado na exposição à luz – explicou Spiccia.

Esse processo de oxidar a água gera prótons e elétrons, que podem ser convertidos em gás de hidrogênio em vez de carboidratos, como acontece nas plantas.

Os químicos expuseram o manganês preparado em laboratório, estabilizando-o com a membrana de polímeros, a uma potência elétrica de 1,2 volts e à água.

O catalisador permaneceu ativo após três dias de uso contínuo, mas os pesquisadores frisam que “a eficiência do sistema, que tem enorme potencialidade, ainda precisa ser melhorada”.

Células de combustível

Atualmente, células de combustível são utilizadas, para substituir motores à base de gasolina, em veículos movidos a hidrogênio refinado de combustíveis fósseis. A pesquisa de Spiccia poderia gerar um novo processo baseado inteiramente em fontes renováveis.

Segundo os cientistas, o próximo passo será conectar o sistema a um absorvedor de luz, permitindo seu funcionamento sem a necessidade de qualquer fonte de energia elétrica e aumentando sua eficiência.

– Precisamos continuar a aprender da natureza para que possamos dominar esse processo melhor – afirmou Spiccia.

Os pesquisadores estão conversando com potenciais investidores que poderão financiar o desenvolvimento de sistemas comerciais.

Fonte: [ Jornal do Brasil ]

Surge na Itália tomate negro sem transgenia

Chama-se “sun black”, o tomate de pele negra, de polpa vermelha e rico em propriedades antioxidantes. A fruta nasceu de um projeto com a participação da Universidade de Pisa, Modena, Reggio Emilia e Tuscia e financiado pelo Ministério da Universidade e da Pesquisa Científica Italiano.

O tomate negro, variedade produzida sem recorrer à tecnologia dos transgênicos, apresenta a pele de coloração roxo escuro. A cor é derivada da presença de antocianina, pigmento presente em alguns alimentos, como a uva preta, que desenvolve uma potente ação antioxidante, diminuindo o acúmulo de radicais livres.

O novo tomate, que conserva a polpa com a tradicional cor vermelha e mantém inalterado o sabor, foi obtido através do cruzamento de diversas variedades do fruto.

O projeto tem dois objetivos. O primeiro está relacionado às pesquisas agroalimentares e a um possível ingresso da variedade no comércio. O segundo está voltado ao estudo dos genes envolvidos no processo de produção de antocianinas para melhorar, sem recorrer às técnicas transgênicas (OGM), o componente nutricional dos alimentos.

Fonte: Il Messaggero

Disponível online em: [ AEN ]

Invenção inválida

Monsanto perde registro de patentes de transgênicos

A Monsanto, gigante da área de biotecnologia e alimentos, não conseguiu reativar no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) o registro de dois pedidos de patente referentes à tecnologia para produção de transgênicos. A indústria sediada no estado do Missouri (EUA) entrou com Mandado de Segurança na Justiça Federal do Rio de Janeiro, porque o INPI anulou os pedidos de patente administrativamente.

A primeira instância negou a segurança e a Monsanto apelou ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Em julgamento ocorrido no dia 5 de junho, a 2ª Turma Especializada do Tribunal decidiu manter a sentença.

De acordo com o processo, os pedidos de patentes pipeline (como são chamadas as patentes de produtos químicos, produtos químico-farmacêuticos e alimentícios), feitos em 1997, referiam-se às invenções intituladas “seqüência de DNA para intensificar a eficácia da transcrição”, “promotor para plantas transgênicas” e “construção de DNA para melhorar a eficiência de transcrição”. O objetivo era revalidar os pedidos que haviam sido apresentados nos Estados Unidos em 1985, mas cujas patentes até hoje não foram concedidas.

O INPI chegou a publicar os pedidos de patentes formulados no Brasil na Revista de Propriedade Industrial número 1.510, de dezembro de 1999. Porém, em 2006 o instituto acabou indeferindo os pedidos, porque, decorridos sete anos desde o depósito no INPI, a indústria não apresentou qualquer documento que comprovasse a concessão ou ao menos sobre o andamento dos pedidos das patentes originárias norte-americanas.

A Monsanto é líder mundial na produção de sementes transgênicas. Em suas alegações, a empresa sustentou que a Lei de Propriedade Industrial não estipula qualquer prazo para a juntada da comprovação da concessão da patente no país de origem. Já o INPI argumentou que a lei exige essa comprovação, e que a exigência não foi cumprida mesmo decorridos vários anos desde a publicação na Revista de Propriedade Industrial.

A relatora do processo, desembargadora federal Liliane Roriz, lembrou que de acordo com a Lei 9.279/96 (Lei de Propriedade Industrial), o prazo de validade das patentes pipeline é limitado no Brasil ao prazo remanescente de proteção no país de origem. Ou seja, se o pedido de patente foi feito em 1985 nos Estados Unidos, o prazo de vigência no Brasil encerrou-se, necessariamente, em 2005, já que a proteção às pipelines vale por 20 anos, contados da data do primeiro depósito feito no país de origem.

Além disso, a desembargadora ressaltou que como as patentes nem chegaram a ser concedidas nos Estados Unidos, a indústria não tem direito líquido e certo à anulação dos atos administrativos do INPI: “Não é razoável exigir que o INPI prolongue indefinidamente o término do procedimento administrativo por conta de evento futuro e incerto, tendo em vista que não há garantias de que os pedidos efetuados no exterior serão deferidos”, constatou. Liliane Roriz ainda ponderou que a Monsanto sequer comprovou que seus pedidos de patentes norte-americanos continuam em andamento.

Processo 2006.51.01.537849-4

Fonte: [ Revista Consultor Jurídico, 9 de junho de 2008 ]

Vegetação descontamina solos poluídos por metais

Por Chris Bueno
20/05/2008

Usar a própria natureza para preservar o meio-ambiente. Este é o princípio básico da pesquisa realizada no Instituto de Geociências da USP, que utiliza vegetação nativa para despoluir solos contaminados por metais. Além de ser ecologicamente correta, a pesquisa ainda traz vantagens econômicas e sociais no combate à poluição por mercúrio, chumbo, níquel e outros metais em áreas industriais ou de mineração. O projeto utiliza uma técnica ainda pouco conhecida no Brasil, mas já em prática em países como Estados Unidos e Nova Zelândia.

A técnica utilizada na pesquisa é chamada de fitorremediação. “É um processo de engenharia ecológica que emprega a vegetação na remediação e reabilitação de ambientes contaminados”, explica Fábio Netto Moreno, autor da pesquisa de pós-doutorado. O projeto utiliza dois modos de fitorremediação: a natural e a induzida. Na fitoextração natural, são plantadas no local contaminado espécies chamadas hiperacumuladoras, que possuem capacidade natural de capturar para si os elementos contaminantes. Essa vegetação remove os metais do solo e, com a colheita e o replantio, o solo é gradualmente descontaminado.

Já na fitoextração induzida são utilizadas plantas não-hiperacumuladoras, mas que possuem crescimento rápido e elevada produção de biomassa. Neste caso, são adicionados ao solo substâncias químicas que reagem com os metais presentes no solo, reduzindo sua toxidade e permitindo o desenvolvimento da vegetação no ambiente contaminado. Desta forma, a poluição é controlada, impedindo que desça até os lençóis freáticos ou que seja dispersada pelo vento, por exemplo.

Benefícios econômicos e sociais

A técnica possui forte apelo não apenas ecológico, mas também econômico e, especialmente, social. Além de ser um método com custo significativamente inferior a muitos outros processos convencionais de remediação, a fitorremediação oferece outras vantagens econômicas. Uma delas é a possibilidade de negociação dos créditos de carbono, pois a vegetação formada captura dióxido de carbono do ar e o fixa em sua estrutura. Também é possível reaproveitar, no caso dos metais, o material extraído do solo. Metais de valor, como o níquel, ficam retidos na estrutura da planta, e podem ser recuperados. Após a descontaminação da matéria vegetal, esta ainda pode ser utilizada como biocombustível em caldeiras.

Os benefícios sociais vêm justamente do reaproveitamento dos metais retirados do solo. Moreno explica que nos garimpos brasileiros o solo é contaminado por ouro e mercúrio, e a técnica pode ser aplicada para remover ambos os metais. “Como em muitas das áreas de garimpo existem famílias assentadas sobre rejeitos contaminados, a técnica poderia ser ’ensinada’ para que estas famílias pudessem elas mesmas remediar a área. Se o ouro recuperado da biomassa fosse vendido, então existiria estímulo suficiente para que a técnica fosse adotada em larga escala pela comunidade e cooperativas de garimpeiros. Com isso, fecha-se o triângulo da sustentabilidade com benefícios nas esferas sociais, ambientais e econômicas”, diz.

Isso pode ser comprovado com as experiências realizadas nos Estados Unidos e na Nova Zelândia. Os dois países adotaram a técnica para remediar solos poluídos com sucesso. Nos Estados Unidos, a fitorremediação já é utilizada comercialmente, movimentando cerca US$ 100 milhões anuais do mercado total de remediação do país. Na Nova Zelândia, onde o pesquisador da USP ajudou a desenvolver uma técnica da fitoextração induzida do ouro, a técnica está em expansão. “Em um projeto piloto, 100 hectares de mostarda foram plantados para recuperar ouro através da acumulação na biomassa aérea”, conta. O ouro retirado do solo, através de tratamento adequado, pode ser reutilizado. “A idéia é recuperar o ouro da biomassa e vendê-lo para abater os custos do processo de remediação”, afirma o pesquisador.

Apesar da comprovada eficiência da técnica, e de possuir condições adequadas para adotá-la, ela ainda não é utilizada no Brasil, e nem há previsão para sua aplicação aqui. “O Brasil possui espécies endêmicas hiperacumuladoras de níquel, cádmio e zinco, que poderiam ser utilizadas na remediação de solos contaminados por estes elementos. Do mesmo modo, também possui condições climáticas e de solo para utilizar plantas como, mostarda, o milho e o girassol na fitoextração induzida. No entanto, ainda não é praticada aqui”, diz Moreno. E justifica: “É preciso que indústrias de porte apostem na fitorremediação e invistam pesadamente em pesquisas nesta área”. E é esta a próxima etapa da pesquisa: buscar recursos financeiros para realização de um experimento de campo com a fitoextração induzida ou natural em escala comercial.

Fonte: [ ComCiência ]