“Uma das maiores farmácias do mundo está sendo destruída”, alerta Benki Piyãko, líder Ashaninka, sobre ameaças à ayahuasca e à Amazônia

A maior farmácia do mundo está sendo queimada antes mesmo de ser conhecida.

A ayahuasca e a biodiversidade amazônica estão sob ameaça de destruição por atividades ilegais e desmatamento.

Em 3 pontos

  • Líder Ashaninka alerta para destruição da farmácia natural da Amazônia.
  • Ayahuasca e outras plantas medicinais sofrem pressão de extração ilegal e grilagem.
  • Comunidades indígenas lutam para proteger o conhecimento e o ecossistema.
Foto: Ivo Brasil / Pexels
“Uma das maiores farmácias do mundo está sendo destruída”, alerta Benki Piyãko, líder Ashaninka, sobre ameaças à ayahuasca e à Amazônia

Por Carlos Minuano* “Uma das maiores farmácias do mundo está sendo destruída”, afirma o líder indígena Benki Piyãko, do povo Ashaninka, no Acre. O alerta aponta para as múltiplas pressões que avançam sobre a Amazônia, mas também para um momento de crescente debate e de ameaças em torno de uma das chamadas “medicinas da floresta”: […]

Mongabay Brasil 8 de junho às 11:25

🧭 O que isso muda para você

  • Agricultores podem adotar sistemas agroflorestais que integram plantas medicinais como a ayahuasca (Banisteriopsis caapi).
  • Pesquisadores podem documentar etnobotanicamente espécies ameaçadas antes da perda de habitat.
  • Entusiastas de plantas podem apoiar projetos de conservação que protegem territórios indígenas na Amazônia.
Atualizado em 08/06/2026

Contexto e relevância para a botânica

A Amazônia abriga uma biodiversidade incomparável, com milhares de espécies de plantas ainda pouco estudadas. A ayahuasca, bebida sagrada dos povos indígenas, é preparada a partir do cipó *Banisteriopsis caapi* e das folhas do arbusto *Psychotria viridis*, que contêm alcaloides como a harmina e a DMT. O alerta do líder Ashaninka Benki Piyãko destaca a urgência de proteger esse patrimônio natural e cultural, que está sendo perdido para o desmatamento, a grilagem e a exploração ilegal.

Mecanismos e descobertas

A ayahuasca atua no sistema nervoso central, combinando um inibidor da monoamina oxidase (IMAO) do cipó com a DMT das folhas, permitindo efeitos psicoativos duradouros. Estudos recentes mostram seu potencial terapêutico para depressão, ansiedade e dependência química, além de seu uso em rituais de cura. No entanto, a pressão sobre a floresta ameaça tanto as espécies vegetais quanto o conhecimento tradicional associado.

Implicações práticas

• Agricultura: sistemas agroflorestais podem incluir *Banisteriopsis caapi* e *Psychotria viridis* como cultivos de valor medicinal e econômico.

Meio ambiente: a proteção de territórios indígenas é crucial para conservar a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos.

• Saúde: a pesquisa sobre ayahuasca pode levar a novos tratamentos para transtornos mentais, mas exige manejo sustentável.

• Ecossistemas: a perda de habitat ameaça não só as plantas medicinais, mas polinizadores e animais que dependem delas.

Espécies de plantas envolvidas

Além da ayahuasca (cipó *Banisteriopsis caapi* e folhas *Psychotria viridis*), a farmácia amazônica inclui plantas como a unha-de-gato (*Uncaria tomentosa*), o pau-rosa (*Aniba rosaeodora*) e a copaíba (*Copaifera langsdorffii*), todas ameaçadas pela exploração excessiva.

Aplicação no Brasil ou regiões tropicais

No Acre e em outras áreas da Amazônia brasileira, comunidades Ashaninka e outros povos indígenas são guardiões de um vasto conhecimento etnobotânico. A criação de reservas extrativistas e o fortalecimento dos direitos territoriais são medidas essenciais para preservar essa farmácia natural.

Próximos passos da pesquisa

É urgente mapear e documentar as espécies medicinais ameaçadas, investigar seus compostos bioativos e desenvolver protocolos de cultivo sustentável. Além disso, políticas públicas devem integrar o conhecimento indígena à conservação da biodiversidade, garantindo que a farmácia do mundo não seja destruída antes de ser plenamente compreendida.

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