As plantas medicinais e fitoterápicos foram tema de um debate em 25 de janeiro, no segundo dia do Fórum Social Temático, em Porto Alegre, evento preparatório para a Rio + 20.
A secretaria estadual de Meio Ambiente do Rio Grande do Sul, Jussara Cony, enfatizou a importância da relação dialética entre saúde, meio ambiente e qualidade de vida. “A cadeia produtiva das plantas medicinais é estratégica para garantir a sustentabilidade no desenvolvimento”, disse.
O secretário adjunto de Saúde, Elemar Sand, disse ter convicção sobre a possibilidade de se colocar em prática alternativas que levem a um mundo não tão predador. “A medicina está dominada pelo grande capital”, afirmou, acrescentando que a política de plantas medicinais é prioritária para o estado. Ele contou que foi formado um grupo de trabalho com entidades para ampliar práticas integrativas e que muitas iniciativas já estão sendo desenvolvidas em municípios do estado.
Um exemplo é a experiência de Sapiranga, como o Centro Municipal de Estudos Ambientais (Cemeam), que promove cursos e oficinas de educação ambiental, artesanato e culinária a alunos da rede municipal e pessoas da comunidade. Entre os ensinamentos está o relógio medicinal, baseado na medicina chinesa tradicional, que afirma que o corpo possui canais de energia. A cada duas horas do dia, um determinado órgão atingiria o seu pico energético, que pode ser estimulado e tratado com plantas medicinais e fitoterápicos.
Outro caso de sucesso apresentado no evento foi o Programa Cultivando Água Boa, da Itaipu Binacional. O diretor de Coordenação e Meio Ambiente da empresa, Nelton Miguel Friedrich, explicou que Itaipu é a maior geradora de energia elétrica do mundo e gera 20% da energia no Brasil. O programa, implantado na Bacia do Rio Paraná 3, no Oeste do estado, congrega 20 projetos, 65 ações e mais de 2.300 parceiros em 29 municípios.
Friedrich destacou o replantio de 1080 quilômetros de mata ciliar em pequenas propriedades e esclareceu que o programa de plantas medicinais dialoga com os demais programas do Cultivando Água Boa. “As plantas medicinais, aromáticas e condimentares são muito importantes para um país megadiverso e com tanta sabedoria popular”, disse. Segundo o diretor de meio ambiente da Itaipu, hoje médicos do município já recomendam plantas medicinais e fitoterápicos em pelo menos 30 postos de saúde. Ele adiantou que está sendo discutida a possibilidade de compra direta de fitoterápicos pelo SUS.
“O Brasil está maduro e construindo sua estratégia para a biodiversidade. Um dos pilares da nova civilização é a biocivilização, que celebra a vida – o solo, o ar, a água e a solidariedade entre as pessoas e entre as pessoas e a natureza”, concluiu.
A Fiocruz, através da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS), é parceira do Programa Cultivando Água Boa na área de plantas medicinais e fitoterápicos. [ Saiba mais ].
Fonte: [ Fiocruz ]
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