Um estudo do cientista Marcos Buckeridge, do Departamento de Biociências da USP, revela que o aumento na concentração de CO2, em combinação com o aumento de temperatura e chuvas, produz um efeito fertilizante, mas doentio nas plantas. É como se elas estivessem se tornando “diabéticas e obesas”, nas palavras do cientista.
A reportagem é de Soraya Aggege e publicada pelo jornal O Globo, 21-04-2009.
– As plantas consomem mais açúcar e ficam maiores. Desconhecemos o impacto disso ainda – diz Buckeridge.
Segundo ele, foram analisadas folhas de várias espécies, como o jatobá.
Ficou claro que atualmente as folhas têm mais amido que no século passado. Na avaliação do cientista, o CO2 elevado aumenta as taxas de fotossíntese e de crescimento das plantas. Referência mundial em biodiversidade, Carlos Joly, do Instituto de Biologia da Unicamp, concorda com Buckeridge:
– O CO2 é o fator limitante para a fotossíntese das plantas nos trópicos. Em tese, as plantas realmente poderão morrer mais rapidamente. Os indícios são de um envelhecimento precoce. Precisamos aumentar nossos conhecimentos sobre a fisiologia das espécies nativas.
Joly diz que, apesar das muitas incertezas, já é possível observar alterações na vegetação, principalmente da Mata Atlântica. Ele usa modelos computacionais para prever impactos do aquecimento.
– Algumas espécies tendem a desaparecer. Na Mata Atlântica, a araucária seria uma delas – conta.
Segundo Joly, embora ainda faltem pesquisas, algumas mudanças são mesmo evidentes.
– É óbvio que as quaresmeiras florescem na Quaresma. Quando elas florescem em janeiro, há problemas – avalia Joly.
Patrícia Morellato, pesquisadora do Departamento de Botânica da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo), estuda alterações na época do floração.
– Na seca de 2001, houve atraso na floração de algumas espécies. Em 2008, observamos um atraso na floração de ipês. A pesquisa será publicada no final deste ano. Os estudos demandam pelo menos seis anos de observações, mas já temos os indicativos – considera Patricia.
De acordo com a cientista, as mudanças nas floradas poderão causar alterações nos frutos, e, em consequência, na fauna, num efeito dominó.
(e-Campo orgânicos/IHU)
Fonte: [ E-campo ]
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