Pesquisa aponta os riscos das ervas medicinais

Tatiana Clébicar – O Globo Online

RIO – Antes de recorrer a uma planta medicinal à venda em feiras livres e até em bancas de jornal, cuidado. O alerta foi dado numa pesquisa da Uerj em parceria com a UFF. Segundo a professora Maria Cristina Ferreira dos Santos, uma das coordenadoras do projeto de extensão Plantas Medicinais e Tóxicas no Rio de Janeiro, da Uerj, 73% dos relatos de pacientes que chegaram ao Laboratório de Botânica Estrutural e Funcional da UFF com intoxicação eram de crianças abaixo de 12 anos. Os sintomas mais comuns são náusea, vômito, diarréia, irritação de mucosa, edema e alucinações. Mas a pesquisadora avisa: intoxicações graves podem levar à morte.

Muitas plantas medicinais de conhecido uso popular apresentam propriedades tóxicas, que justificam muito cuidado com suas dosagens.

A pesquisa identificou as ervas mais perigosas: comigo-ninguém-pode (Dieffenbachia picta Schot), pinhão [-manso – n.e.] (Jatropha curcas L.), trombeta (Brugmansia suaveolens (Willd.) Bercht. J. Presl.), pó-de-mico (Dalechampia filicifolia Lam.), buchinha-do-norte (Luffa operculata Cogn.) e mamona (Ricinus communis L.).

{ N.E.: todas plantas conhecidamente descritas como tóxicas – e não medicinais, excetuando-se a buchinha-do-norte, utilizada para sinusites }

Uso e dosagem corretos – O uso de plantas medicinais é uma prática tão antiga como a própria História do homem, que também nos mostra a ocorrência de efeitos indesejados. Muitas plantas medicinais de conhecido uso popular apresentam propriedades tóxicas, que justificam muito cuidado com suas dosagens. É importante saber se os efeitos são acumulativos ou se a planta é imprópria para uso interno. Por exemplo, o uso do confrei (Symphytum officinale L.), que apresenta alcalóides pirrolizidínicos considerados cancerígenos e hepatotóxicos, por via oral é proibido em vários países. Por outro lado, o uso local, como cicatrizante, não só é permitido como estimulado – diz a médica.

Segundo ela, o cultivo de plantas medicinais exige cuidados especiais e ausência total de agrotóxicos. Na hora de comprá-las, o consumidora também deve ter cuidado. A pesquisa constatou que no município de São Gonçalo, por exemplo, 91 plantas medicinais eram comercializadas com nomes populares diferentes. Mais da metade das amostras não apresentava os nomes científicos ou estava identificadas equivocadamente.

– A denominação incorreta pode causar uso inadequado e graves riscos à saúde. Outro fato relevante é que algumas plantas comercializadas, como o abajeru, a cainca, a catuaba e o pinhão-roxo, ainda não têm eficácia terapêutica comprovada, e são utilizadas com base apenas nas informações disponíveis na medicina popular ou ainda sem qualquer outra referência na bibliografia consultada – observa.

Fonte: [ Globo.com ]


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Autor: Anderson Porto

Desenvolvedor do projeto Tudo Sobre Plantas

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