O X Workshop de Plantas Medicinais de Mato Grosso do Sul organizado pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), acontece nos dias 11, 12 e 13 de julho na Cidade Universitária de Dourados (MS) e conta com a participação, entre outras instituições, da Embrapa Transferência de Tecnologia através de seus Escritórios de Negócios de Dourados (MS) e de Campinas (SP), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento – Mapa.
Este ano, o Workshop discutirá vários aspectos como a produção, comercialização e especialmente as formas de aplicação terapêutica das plantas medicinais, informa Maria do Carmo Vieira, pesquisadora da Universidade Federal da Grande Dourados e coordenadora do evento.
Na programação serão apresentadas palestras como: Fitoterapia na Saúde Pública; Uso Clínico de Plantas Medicinais; Cuidados Necessários para Cultivo, Colheita e Processamento das Plantas Medicinais além de mini cursos e oficinas.
O tema atrai cada vez mais pesquisadores e interessados no mundo inteiro. Muitos jornais e revistas reservam seus espaços para falar sobre a produção e o uso das plantas medicinais.
Agora, às vésperas do X Workshop de Plantas Medicinais de Mato Grosso do Sul, trazemos as impressões de Huberto dos Santos Paschoalick, gerente local do Escritório de Negócios de Dourados da Embrapa que desenvolve atividades neste segmento e fala sobre o tema no estado de Mato Grosso do Sul, em entrevista abaixo:
Desde o primeiro Workshop, há 10 anos, até agora o que mudou na produção e utilização das plantas medicinais no estado?
Huberto – Tem ocorrido avanços significativos na área acadêmica por intermédio da Universidade Federal da Grande Dourados, que estuda o assunto, com a implantação de um horto de plantas medicinais muito representativo e ainda como tema de diversas dissertações de mestrado.
O assunto motivou a Embrapa Transferência de Tecnologia/Escritório de Negócios de Dourados a iniciar um projeto de introdução e avaliação agronômica de plantas medicinais, através da implantação de uma Unidade de Observação.
A Administração Municipal de Dourados, passou a promover a capacitação de núcleos urbanos e de agricultores familiares através de cursos de manejo e utilização de plantas medicinais, a exemplo das mulheres beneficiárias do Programa Bolsa-Escola, o Programa Quintal Horti-medicinal e outros, o que gerou a necessidade de implantar um programa de produção de mudas de plantas medicinais, em conjunto com a Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer) e com a Escola Agrotécnica de Dourados.
Iniciativas populares de capacitação, também foram promovidas pelas Pastorais religiosas e outras entidades, em conjunto com associações de moradores. Então, percebe-se que este assunto tem avançado bastante mas como iniciativas isoladas, especialmente na área de utilização caseira das plantas e este fato tem sido importante à medida que a população tem se apropriado desse conhecimento. Mesmo assim, ainda não conseguimos estabelecer um processo mais consistente de produção e exploração comercial das plantas medicinais transformando todo esse conhecimento acumulado em um “negócio” agrícola.
Existem dados sobre o aumento do número de produtores e da área plantada com medicinais no estado?
Huberto – O cultivo de plantas medicinais ainda segue uma lógica de produção de pequena escala, colheita e pós-colheita artesanal, secagem natural associada a um mercado ainda desconhecido e pouco acessível e são esses fatores que limitam a expansão da área plantada.
Qual é a taxa de crescimento do uso de fitoterápicos nos últimos dez anos no estado?
Huberto – Não temos uma informação precisa sobre o crescimento, mas a sensação é a de que é muito grande, em razão do número crescente de processadores, de laboratórios especializados, das linhas de produtos cosméticos que estão agregando fitoterápicos nos seus produtos, etc. Existe hoje uma consciência coletiva de que é preciso e é possível uma terapêutica alternativa, menos agressiva para com o nosso organismo, mais barata e tão eficiente quanto os métodos de tratamento convencionais.
Só no município de Dourados são comercializadas e processadas em laboratório cerca de 40 espécies de plantas medicinais, sem contar ainda outras 20 espécies que são comercializadas in natura no comércio ambulante de raízes, cascas e folhas.
Como é o agronegócio de medicinais na região?
Huberto – Ainda pautado por iniciativas isoladas de alguns pequenos produtores, mas que, sem escala comercial, tem o mercado restrito à comercialização local da matéria prima.
Outra característica importante do mercado local é a existência dos vendedores ambulantes que resistem e persistem no mercado em razão da nossa tradição e de um verdadeiro conhecimento popular no uso e na aplicação das plantas medicinais.
Desde o primeiro workshop a tradição de tratos culturais com as medicinais mudou nas propriedades?
Huberto – Sim. Percebe-se uma preocupação muito maior dos produtores com os tratos culturais porque foram adquirindo conhecimento, conhecendo outros modelos de produção e conhecendo sobretudo as exigências do mercado especialmente com o manejo de colheita e pós-colheita, com a embalagem do produto e a identificação da espécie.
Este workshop atrai apenas o público regional ou estadual e nacional também?
Huberto – É um evento de caráter estadual, que atrai produtores e interessados de todo o Estado. Uma preocupação constante da organização do evento é trazer sempre conferencistas renomados das diversas instituições que trabalham com plantas medicinais aliando com a explanação de casos e exemplos de sucesso de outros empreendedores, dentro do tema plantas medicinais.
Informações e inscrições par ao X Workshop podem ser encontradas no site http://201.3.11.197/workshop/ ou através do telefone: (67) 3411-3845 e-mail: workshop10@ujgd.edu.br.
Fonte: [ Agora MS ]
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