Mais de dois milhões de hectares, o que corresponde, aproximadamente, a um terço da área cultivável do Paraná, fica sem nenhum cultivo no período do inverno, o que deixa essas áreas sujeitas à erosão e aumento de ervas daninhas. A advertência é do pesquisador Ademar Calegari, do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), autarquia vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento.
Calegari lembra também que outra conseqüência da falta de plantio no inverno é o aumento do custo de produção da safra de verão. “O agricultor vai gastar muito mais para controlar tanta praga”, diz ele. O pesquisador afirma que o produtor deve utilizar no inverno plantas de cobertura, que conservam, protegem e melhoram o solo para a próxima colheita. “Existem diferentes plantas com diferentes habilidades de promover diversas melhorias no solo”, ressalta.
O pesquisador dá como exemplo o plantio do nabo forrageiro de raiz pivotante, como a variedade IPR 116 desenvolvida pelo IAPAR, que favorece o crescimento das raízes das plantas e ainda facilita a infiltração de água na terra. “O nabo é excelente para descompactar o solo e aumentar a produtividade, que pode ficar comprometida de 5 a 40 % em solos muito duros”. Em um experimento realizado por ele em Pato Branco, foram colhidas 7,3 toneladas de milho por hectare após o plantio de ervilhaca comum, sendo que a colheita do mesmo grão não passou de 4,4 toneladas depois do período sem plantio.
Outro exemplo são as leguminosas, como ervilhaca, ervilha forrageira e tremoço, além do nabo, que tem grande habilidade em trazer nitrogênio para o sistema e, conseqüentemente, diminuir o uso de fertilizantes nitrogenados. “Utilizando-se dessas plantas, o agricultor vai economizar de R$ 40 a R$ 80 por hectare”, afirma Calegari. Ele diz que “as leguminosas fixam o nitrogênio da atmosfera nas raízes tornando disponível para as próximas culturas o que o produtor teria que comprar e aplicar”.
Já o nabo forrageiro busca nitrogênio em profundidades maiores do solo e o disponibiliza na superfície para outras culturas. Além disso, o pesquisador lembra que as plantas de cobertura no sistema do plantio diretas criam uma maior biodiversidade no solo, trazendo equilíbrio ambiental e aumento no número de inimigos naturais das pragas e nematóides. “Assim o produtor vai usar menos produtos químicos e beneficiar o meio ambiente, o agricultor, e o consumidor”, salienta o pesquisador.
Calegari acrescenta que o custo de implantação das plantas de cobertura é bastante baixo. Para o nabo forrageiro gira em torno de R$ 40 por hectare e R$ 70 para as leguminosas, mais o gasto com mão-de-obra e combustível. “Só a economia da compra de nitrogênio já paga o custo de implantação, fora o ganho de produtividade e a redução nos gastos com produtos químicos”, destaca o pesquisador.
Ele lembra ainda que se o agricultor fizer a própria semente, o custo cai mais de 50 %. “Nós do IAPAR sempre sugerimos ao produtor rural que ele produza a própria semente para que ele fique cada vez menos dependente do mercado”. Calegari é categórico em relação aos benefícios para o agricultor das plantas de cobertura: “quando o produtor faz tudo direitinho, é muito difícil o resultado não ser positivo”.
Fonte: Agência Estadual de Notícias do Paraná
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