Fenômeno provoca o surgimento de uma camada superficial mais dura
A compactação do solo é, para alguns pesquisadores, um dos principais motivos da degradação de áreas agrícolas no país. Ela provoca prejuízos aos agricultores, que enfrentarão queda expressiva de produtividade e terão maiores gastos para levar a cultura adiante. De quebra, o terreno fica mais vulnerável às erosões.
Em linhas gerais, tal fenômeno é conceituado como o surgimento de uma camada superficial mais dura, normalmente de 5 cm a 20 cm, que dificulta o desenvolvimento das raízes e, conseqüentemente, das plantas. Isso porque haverá menor absorção de água e nutrientes e menos trocas gasosas.
De acordo com João Tavares Filho, professor do departamento de agronomia da UEL (Universidade Estadual de Londrina), no Paraná, o problema surge a partir da “aplicação de pressão sobre o solo em condições inadequadas de umidade”.
De maneira simplificada, trata-se da ocorrência de pressão em áreas bem úmidas. Os fatores são diversos: tráfego de máquinas agrícolas, equipamentos ou animais e até mesmo o impacto de gotas de chuva sobre um terreno descoberto, desprovido de vegetação.
Não há, segundo Tavares Filho, um cultivo que provoque maior compactação.
“O que existe, na verdade, é o manejo em condições inadequadas de umidade e excesso de pressão sobre o solo”, diz. Ele avalia que sistemas agrícolas com uso intenso do solo e com muito maquinário registram problemas ainda maiores.
Para evitar a compactação, várias são as medidas cabíveis, entre elas a diminuição da movimentação de máquinas e equipamentos pesados, sobretudo quando houver muita umidade no local, e adoção da rotação de culturas com plantas de diferentes sistemas de raízes.
Caso a propriedade rural seja atingida, recomenda-se a descompactação através de subsoladores ou escarificadores, que são implementos agrícolas para deixar o solo mais rugoso ou poroso.
Operação impõe investimentos maiores
Em um solo compactado, o agricultor terá gastos muito maiores para desenvolver as culturas. Uma das razões é o aumento da potência dos tratores, algo que, inevitavelmente, leva a um maior consumo de combustível.
Depois, caso surjam erosões, o produtor terá de investir elevados recursos financeiros para promover a correção do terreno.
Ao notar o amarelecimento das plantas e o seu crescimento desigual, pode-se estar diante do fenômeno da compactação.
Uma forma de o agricultor identificar se ela está em nível prejudicial é perceber se as raízes apresentam desvios laterais e concentram-se na superfície.
Outro indício é o acúmulo de água nos sulcos, um sinal de que a terra está com dificuldade para absorvê-la.
É possível fazer a avaliação técnica do problema por meio de penetrômetros – hastes com pontas cônicas que indicam a pressão.
Para João Tavares Filho, é muito mais vantajoso para o produtor rural evitar a compactação, pois as técnicas de descompactação são bastante custosas. O valor dependerá das características de cada local atingido.
Para finalizar, o professor da UEL enfatiza que a compactação dos solos é um fenômeno sempre presente nas lavouras. “O problema é quando ela é excessiva”, afirma Tavares Filho.
Fonte: BOM DIA Rio Preto
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