Plantas: Jardins botânicos são refúgios de natureza em crise

Refúgios de uma natureza em crise, os jardins botânicos acolhem 30 por cento da biodiversidade vegetal em todo o mundo, contribuindo para conservar e estudar recursos de grande valor social e económico, cada vez mais ameaçados.

A bióloga Ana Cristina Tavares, do departamento de botânica da Universidade de Coimbra, defendeu hoje, numa palestra, que os jardins botânicos cumprem uma função tripla como «refúgios» científicos, educativos e de lazer.

«A extinção de plantas é uma ameaça real», sublinhou a investigadora que participou quarta-feira num ciclo de palestras promovido por esta universidade e que pretende contribuir para a divulgação desta ciência, contando histórias pouco conhecidas das plantas.

Alterações climáticas, mudanças no uso da terra e destruição de habitats são exemplo dos perigos que podem levar à extinção mais de mil espécies animais e vegetais nos próximos 50 anos.

Espécies de importância social e económica como a aveia, beterraba sacarina, macieira ou trevo-vermelho são algumas das plantas que enfrentam estas ameaças.

«Os jardins botânicos são um elemento essencial na conservação de recursos vivos para o desenvolvimento sustentável», considerou Ana Cristina Tavares.

Os mais de 2.500 jardins botânicos existentes em todo o mundo (em Portugal, são cerca de dez) abrigam mais de 100.000 espécies vivas e preservam outras 250.000 em bancos de sementes.

Muitas destas espécies são economicamente importantes e têm um impacto directo na sociedade, havendo necessidade de equilibrar a conservação de plantas silvestres e o cultivo de plantas úteis, já que apenas 12 plantas correspondem a três quartos da alimentação mundial.

Ana Cristina Tavares chamou a atenção para o impacto crítico das alterações climáticas na diversidade de plantas silvestres parentes de plantas úteis (crop wild relatives – CWR), cuja cultura e conservação apresentam vários benefícios, como resistência a pestes e doenças e aumento na produtividade.

«É urgente conservar os recursos, identificar as espécies de maior valor sócio-económico, as espécies CWR e os seus habitats naturais, aplicar instrumentos e métodos para a conservação in situ (nos habitats naturais) e ex situ (nos jardins botânicos e bancos de sementes)», salientou a bióloga.

Os jardins botânicos têm levado a cabo investigações em espécies com propriedades anti-viral, anti-microbiana e anti-tumoral, bem como o uso de plantas preventivas da SIDA e tuberculose, além de «criarem» novas plantas.

Na última década, 268 novas espécies resultaram de explorações botânicas em vários países.

Os jardins botânicos constituem também «oportunidades privilegiadas para alertar para uma cidadania consciente e tolerante», cumprindo um papel educativo e de lazer, adiantou Ana Cristina Tavares.

O projecto Éden, no Reino Unido, adoptou estes conceitos.

Trata-se de um jardim instalado numa área degradada que «promove a compreensão e a gestão da responsabilidade da relação vital entre plantas, pessoas e recursos».

Em Portugal, o Jardim Botânico de Coimbra tem também promovido várias acções de educação ambiental (A volta ao mundo em 80 minutos; ateliers de pintura; jogos para crianças; presépio botânico guardado por plantas carnívoras no Natal).

O ciclo de palestras «As plantas e as pessoas», do Departamento de Botânica da Universidade de Coimbra, vai continuar até ao final do ano com um tema diferente na segunda quarta-feira de cada mês.

«A Botânica na Heráldica Portuguesa e Japonesa», é o tema da próxima apresentação que vai acontecer no dia 11 de Abril de 2007.

Diário Digital / Lusa

Fonte: Diário Digital


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Autor: Anderson Porto

Desenvolvedor do projeto Tudo Sobre Plantas

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