Definir qual será a principal é essencial ao cultivo de duas espécies diferentes na mesma área
Cultivar duas espécies de plantas na mesma área é uma boa opção aos produtores rurais. A iniciativa, se adotada com acompanhamento técnico, gera mais renda ao agricultor e ajuda na preservação do meio ambiente.
O engenheiro agrônomo Edvaldo Sagrilo, da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), ensina que o primeira passo é estabelecer qual será a cultura “mais importante”.
“O casamento entre eles não deve prejudicar nenhuma delas, sobretudo a principal”, afirma.
Ele dá alguns exemplos clássicos de consórcios bem sucedidos: milho e feijão comum ou gramíneas, mandioca e feijão, entre outros.
O pesquisador comenta que, dessa forma, há um melhor aproveitamento de recursos como água, luz, solo e nutrientes.
Para o sistema de plantio direto, quando a semeadura é feita sem revolver a terra, o cultivo associado de milho com braquiária (espécie de gramínea) provoca produção maior de palha. Isso causa cobertura para o solo, resultando em redução de erosão.
Além disso, proporciona a possibilidade de integração lavoura-pecuária: após a colheita do milho, utiliza-se a área como pasto, agora farto em braquiária.
O consórcio ainda diminui o risco de prejuízos, pois se há perda em uma das culturas, a outra segue firme.
Adubo verde e nitrogênio
Muitas plantas têm raízes profundas, facilitando a retirada de nutrientes do solo. Ao fim do ciclo de vida, morrem e deixam os recursos trazidos para as culturas seguintes. É o adubo verde.
Essas plantas, como o feijão-caupi e a mucuna, são consideradas boas parceiras.
Edvaldo Sagrilo cita ainda que algumas leguminosas associam-se a bactérias que absorvem nitrogênio da atmosfera. Quando se decompõem, ele é liberado para os futuros plantios.
O nitrogênio é a substância mais usada na agricultura e é essencial para proteína.
A uréia, rica nesse elemento, custa por volta de R$ 1,20/kg. Cada hectare de milho consome 300 quilos.
Agricultor insistirá na técnica
O produtor Keller Césio Arantes Gomes fez, no ano passado, experiência com a técnica de consórcio em sua área em Bauru.
Plantou milho com feijão carioca e milho com mamona. No entanto, não teve o sucesso em relação à primeira dupla de plantas.
O resultado ficou abaixo do esperado. Ele avalia que o milho fez sombra sobre o feijão, amarelecendo-o.
Porém, perseverante, retomará a iniciativa. Vai cultivar milho e gramínea. Depois da colheita, terá boa pastagem. ao contrário de 2005, agora tem orientação da Secretaria de Agricultura de Bauru e também do Sistema Agroindustrial Integrado, ligado ao Sebrae.
28/10/2006 / Marcos Silvestre (marcos.silvestre@bomdiabauru.com.br)
Fonte: BOM DIA
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