Pesquisadores do Brasil e do exterior debaterão este tema em Campos
2006-10-07
O cultivo de plantas ornamentais em sistemas agro-florestais é algo ainda raro na fazenda e até na literatura científica. Mas as possibilidades da prática da floricultura à sombra das árvores, assim como suas limitações, estarão entre os temas do VI Congresso Brasileiro de Sistemas Agro-florestais (CBSAF), que se realizará em Campos (RJ) de 23 a 27 deste mês. Um fórum especificamente dedicado a essa questão trará à cidade três pesquisadores do Instituto Agronómico de Campinas (IAC) — Carlos Eduardo Ferreira de Castro, André May e Charleston Gonçalves. A coordenação do fórum estará a cargo da professora Janie Mendes Jasmim, do Laboratório de Fitotecnia da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).
Pela primeira vez realizado em Campos, o Congresso Brasileiro de Sistemas Agro-florestais está sendo organizado pela Uenf e promovido pela Sociedade Brasileira de Sistemas Agro-florestais. O tema central — “Sistemas Agro-florestais: bases científicas para o desenvolvimento sustentável” — será abordado por pesquisadores do Brasil e do exterior em três conferências e 24 palestras.
Agrónoma e especialista no cultivo tradicional de plantas ornamentais, Janie Jasmim espera que o debate durante o Congresso gire em torno das características das espécies que indiquem compatibilidade com o cultivo em áreas arborizadas. A principal é a tolerância à sombra. Outro ponto elementar é o uso de espécies com portes compatíveis. Quanto às espécies ornamentais, algumas das espécies que poderiam ser indicadas são nativas de florestas tropicais, como a helicônia (Heliconia spp), a alpínia (Alpinia spp), o bastão-do-imperador (Etlingera spp) e antúrio (Anthurium andreanum), entre muitas outras.
O ponto de equilíbrio
Um dos desafios desta nova modalidade de cultivo será dosar a combinação entre as culturas envolvidas, considerando, por exemplo, a quantidade de sombra requerida pela espécie ornamental e a oferecida pela espécie arbórea, explica Janie Jasmim. O ponto de equilíbrio está em estabelecer entre os componentes do sistema uma relação de complementaridade, e não de competição.
Equacionar a interacção árvore-cultivo auxiliaria a quantificar os efeitos da competição versus complementaridade sobre a fertilidade do solo — explica o professor António Carlos da Gama-Rodrigues, da Uenf, em artigo publicado no livro “Sistemas Agro-florestais, tendência da agricultura ecológica nos trópicos: sustento da vida e sustento de vida”, do qual foi um dos organizadores. Gama-Rodrigues é o presidente da Comissão Organizadora do Congresso.
Esta equação envolve elementos como solo e água. Quanto ao solo, é preciso identificar a fertilidade exigida pela planta ornamental e realizar um manejo que não prejudique as árvores. Em geral, as flores requerem bom teor de matéria orgânica no solo, o que pode fazer da proximidade com as árvores um ponto favorável, devido à queda das folhas e galhos. Algo parecido ocorre no que se refere à água. As helicônias, por exemplo, pedem boa disponibilidade de água, e o acúmulo de matéria orgânica favorece a retenção de humidade.
O VI CBSAF terá fóruns científicos, minicursos e cerca de 300 trabalhos científicos nas sessões temáticas, que abordarão os seguintes temas: “Sócio-economia e política”, “Biologia, ecologia e serviços ambientais”, “Manejo cultural”, “Solos e nutrição de plantas”, “Modelagem e estatística” e “Ensino, extensão e difusão de tecnologia”. Quem ainda não se inscreveu pode fazê-lo no próprio dia 23/10, das 13h às 18h, no Teatro Trianon.
Fonte: [ Ciência Hoje ]
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