UCB desenvolve antibiótico a base de frutas contra infecções hospitalares

Bárbara Renault
Do CorreioWeb

Cientistas da Universidade Católica de Brasília (UCB) estão desenvolvendo uma pesquisa pioneira no Brasil. Há quatros anos, mais de 20 pesquisadores se dedicam à elaboração de um antibiótico a base de sementes de plantas para combater infecções hospitalares. Dos 20 tipos selecionados, três já apresentaram resultados positivos: maracujá, goiaba e feijão de corda. A expectativa é de que o produto seja comercializado com custos até 60% menores que o de antibióticos vendidos hoje no mercado.

De acordo com o coordenador da pesquisa, Octávio Luiz Franco, os compostos descobertos nas sementes das frutas e do legume são eficientes no combate de bactérias e fungos causadores de graves infecções hospitalares. “As infecções são uma grande preocupação nos hospitais porque acabam levando à morte pacientes com baixa imunidade que estão lá por outros motivos. A nossa preocupação era criar um composto natural, eficaz, nacional e mais acessível”, afirma.

Nos testes já realizados, Franco conta que a semente do maracujá foi eficaz no combate ao fungo Aspergillus, causador da infecção pulmonar. Já a goiaba ataca duas bactérias causadoras de infecções renal e intestinal, a Klebsiella e a Proteus. O feijão de corda também mostrou-se eficaz nas infecções intestinais, inibindo a ação da bactéria Escherichia coli.

O pesquisador alerta que a fruta em si não causa os efeitos esperados. “É necessário uma dosagem muito alta para se obter os resultados. Os compostos devem antes passar por um processo de concentração”, explica. O grupo pretende comercializar o antibiótico em forma de pomadas e/ou cápsulas. “A nossa pretensão não é apenas transformá-lo em tratamento para as infecções. Mas também como agente preventivo. Por isso, criar uma pomada que servirá para esterilizar o ambiente, os objetos, e os equipamentos que entrem em contato direto com os pacientes”, complementa Franco.

Mercado

A previsão é de que o medicamento comece a ser vendido em três ou quatro anos. Franco justifica a demora com a necessidade de confirmar a segurança do remédio à população. “Já fizemos alguns testes em ratos. Mas para comercializar, temos que testar em seres humanos. Essa etapa ainda está sendo estruturada e a iniciaremos quando comprovarmos que é seguro em mamíferos”, explica.

Como o produto é totalmente natural, Franco acredita que a rejeição em humanos seja baixa. Os testes em humanos devem ser feitos na rede pública hospitalar do Distrito Federal e devem analisar os possíveis efeitos colaterais e alergias que podem causar.

Apesar de ainda estar em desenvolvimento, os pesquisadores da UCB já deram entrada no processo para patentear o antibiótico. A expectativa é de que os trâmites terminem em seis meses. “Já quisemos dar início a essa etapa porque já temos descobertas importantes. Não queremos a nossa pesquisa com méritos de outros”, comenta.

Pioneira

A pesquisa desenvolvida pela UCB é inédita no Brasil. Octávio Franco, também coordenador de Análise Proteômica e Bioquímica do Centro de Pós-Graduação em Bioquímica da Universidade, afirma que também não conhece pesquisas no mundo sobre antibióticos naturais. “Os antibióticos que existem hoje são à base de compostos secundários. Essa é a primeira pesquisa que temos conhecimento que tem como base a proteína. E é também a primeira que se baseia em sementes de plantas. Só não posso afirmar com certeza que é a única no mundo porque há muito material em estudo e não publicado”, declara Franco.

Além dos pesquisadores da Católica, outras setes instituições são parceiras na pesquisa: a Universidade de Havana em Cuba, a Universidade de La Trobe na Austrália, a Universidade de Los Angeles na Califórnia, a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a Universidade Federal do Ceará e a Embrapa.

De acordo com Franco, as parcerias foram essenciais para o desenvolvimento do projeto. “Hoje ninguém faz pesquisa sozinho. Os equipamentos são muito caros, há pesquisas que devem ser feitas em laboratórios específicos. Um exemplo é uma parceria que temos uma universidade da Austrália. A doutoranda Patrícia Pelegrini, integrante do grupo, conseguiu uma bolsa e está lá aprendendo como produzir o medicamento em larga escala”, exemplifica.

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) são os órgãos federais que garantem o financiamento da pesquisa. Desde o início dos estudos, o CNPq já liberou mais de R$ 250 mil. “O incentivo é bom, mas ainda falta muito. O governo federal deveria investir mais em políticas para a ciência nacional. Temos muitas pesquisas boas para se transformar em produto”, finaliza Franco.


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Autor: Anderson Porto

Desenvolvedor do projeto Tudo Sobre Plantas

Um comentário em “UCB desenvolve antibiótico a base de frutas contra infecções hospitalares”

  1. Gostaria de saber se vc conhece ond vende os produtos de vcs em Sao Paulo capital

    obrigada
    Eunice

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