Agrotóxicos: veneno destrói anos de pesquisa em horto medicinal no Mato Grosso, Brasil

Para a população de Lucas do Rio Verde (MT) farão falta as plantas medicinais utilizadas pelo Horto Medicinal da Fundação Instituto Padre João Peter, danificadas pela utilização criminosa de agrotóxicos, uma vez que era a partir delas que a bióloga Lindonésia Andrade preparava os medicamentos que servia gratuitamente aos doentes carentes da cidade que a procuravam

Leia a reportagem de Paulo Machado, enviado especial da Agência Brasil, e comentário da revista Consciência.Net, em abril de 2006

O segundo maior produtor de grãos do Brasil, o município de Lucas do Rio Verde, sofreu um acidente ambiental dentro de sua área urbana. As casas, as plantas frutíferas, ornamentais e medicinais, e as próprias pessoas ficaram expostas aos efeitos de uma pulverização ilegal de agrotóxicos. Segundo a associação de pequenos produtores, sindicatos locais e especialistas, o veneno era um herbicida dessecante para apressar a colheita da soja, cultura que trouxe os lucros para os grandes produtores da região.

Despejado irregularmente com um avião monomotor no início de março, o veneno é amplamente utilizado na monocultura da soja. O produto pode causar imediatamente vômitos, diarréias, dores de cabeça e, a longo prazo, até câncer. Para debater os efeitos do grande uso dos agrotóxicos, a Agência Brasil publica, a partir de hoje (13/4), uma série de reportagens sobre a contaminação, os efeitos dos venenos, a investigação do crime na cidade e o modelo de desenvolvimento baseado no agronegócio.

O estrago se estendeu desde as dezenas de pequenas hortas particulares, plantas frutíferas e ornamentais, o Horto de Plantas Medicinais, ligado à Fundação Padre Peter, e até as pessoas, que se queixaram de diarréias, vômitos e urticárias. Cerca de uma semana depois do acidente, dois especialistas chegaram ao município para avaliar o impacto do acidente ambiental: Wanderley Antonio Pignati, mestre em saúde coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), e o engenheiro agrônomo James Cabral da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase).

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Autor: Anderson Porto

Desenvolvedor do projeto Tudo Sobre Plantas

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