Orangotangos são flagrados consumindo plantas medicinais

Orangotangos não apenas comem plantas, mas seguem receitas medicinais.

Orangotangos combinam plantas em sequências para tratar feridas e parasitas.

Em 3 pontos

  • Orangotangos ingerem plantas medicinais em sequências específicas.
  • O estudo analisou 20 anos de registros em Bornéu, Indonésia.
  • O comportamento é similar ao de outros primatas, como chimpanzés.
Foto: Carlos Torres / Pexels
Orangotangos são flagrados consumindo plantas medicinais

Comportamento semelhante observado entre outros primatas, como bonobos, gorilas e chimpanzés, agora também foi documentado entre orangotangos (Pongo pygmaeus): o consumo de plantas medicinais. Um novo estudo baseado em 20 anos de registros desses animais em florestas de Bornéu, na Indonésia, revela o uso de combinações de plantas em sequências específicas – condizente com a […]

Suzana Camargo 22 de junho às 18:02

🧭 O que isso muda para você

  • Agricultores podem observar quais plantas são consumidas por primatas para identificar espécies medicinais locais.
  • Pesquisadores podem testar combinações de plantas em ensaios para validar propriedades medicinais.
  • Entusiastas de plantas podem cultivar espécies usadas por orangotangos em hortas medicinais.
  • Conservacionistas podem usar esse conhecimento para enriquecer habitats de primatas em cativeiro.
Atualizado em 22/06/2026

Contextualização e Relevância para a Botânica

O uso de plantas medicinais por primatas não humanos é um campo fascinante da etnobotânica e da ecologia comportamental. Enquanto chimpanzés, bonobos e gorilas já haviam sido documentados consumindo plantas com propriedades curativas, os orangotangos (Pongo pygmaeus) agora entram para essa lista. Essa descoberta amplia nosso entendimento sobre a inteligência e a capacidade de automedicação em primatas, além de destacar a importância da biodiversidade vegetal para a saúde animal.

Mecanismos e Descobertas

O estudo, baseado em 20 anos de observações em florestas de Bornéu, na Indonésia, revelou que orangotangos não consomem plantas medicinais aleatoriamente. Eles seguem sequências específicas de combinações de espécies, como se estivessem seguindo uma "receita" para tratar feridas, infecções ou parasitas intestinais. Por exemplo, foram observados indivíduos mastigando folhas de *Dracaena* e *Ficus* e aplicando a pasta sobre feridas, ou ingerindo cascas de *Eurycoma longifolia* (conhecida como pasak bumi) para combater parasitas. Essas combinações sugerem um conhecimento empírico transmitido entre gerações.

Implicações Práticas

Na agricultura, o conhecimento das plantas usadas por orangotangos pode orientar o cultivo de espécies medicinais em sistemas agroflorestais, beneficiando tanto a saúde humana quanto a conservação. No meio ambiente, a preservação das florestas de Bornéu é crucial para manter esse repertório natural de fármacos. Para a saúde, compostos bioativos dessas plantas podem inspirar novos medicamentos. Em ecossistemas, a interação entre primatas e plantas medicinais reforça a interdependência entre fauna e flora.

Espécies de Plantas Envolvidas

Entre as espécies documentadas estão *Dracaena* spp., *Ficus* spp. e *Eurycoma longifolia*. Essas plantas são nativas do Sudeste Asiático e algumas, como *Eurycoma longifolia*, já são usadas na medicina tradicional humana para tratar malária e disfunção sexual.

Aplicação no Brasil ou Regiões Tropicais

No Brasil, primatas como macacos-prego (*Sapajus* spp.) e bugios (*Alouatta* spp.) também são conhecidos por consumir plantas medicinais, como folhas de *Cecropia* e *Hymenaea*. A metodologia do estudo pode ser replicada em florestas tropicais brasileiras para investigar combinações medicinais usadas por primatas nativos, contribuindo para a conservação da biodiversidade e para a descoberta de novos fitoterápicos.

Próximos Passos da Pesquisa

Os cientistas pretendem analisar quimicamente as combinações de plantas para identificar os compostos ativos responsáveis pelos efeitos medicinais. Além disso, estudos de longo prazo em outras populações de orangotangos podem revelar variações regionais no conhecimento herbal. A pesquisa também pode investigar se outros primatas tropicais, como os da Amazônia, apresentam comportamentos similares de automedicação sequencial.

💬 Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia.

📬
Receba novidades sobre plantas por e-mail Resumo semanal com as principais notícias. para se inscrever.