Litoral norte fluminense tem 25% da zona costeira em situação instável
Um quarto da costa fluminense está em colapso e você não sabia.
Desmatamento, pecuária e café tornaram 25% do litoral norte do Rio instável.
Em 3 pontos
- Pesquisa da UFF analisou 40 anos de degradação costeira no Rio de Janeiro.
- Mais de 25% das terras entre Búzios e São Francisco de Itabapoana são instáveis.
- Causas principais são desmatamento associado à pecuária e ao cultivo de café.
Um projeto inédito da Universidade Federal Fluminense (UFF) analisou quatro décadas de degradação do solo na zona costeira do estado do Rio de Janeiro e identificou áreas críticas de erosão, desmatamento e expansão urbana acelerada em diferentes regiões. O trecho mais crítico é a faixa que se estende entre os municípios de Búzios e São Francisco de Itabapoana, no Norte Fluminense. A pesquisa constatou que mais de 25% das terras da região são classificadas como instáveis por causa do desmatamento associado à pecuária e ao cultivo de café. Notícias relacionadas:Elefante-marinho volta a ser avistado no litoral alagoano.Construções indevidas agravam problema de erosão costeira no Brasil.Reflorestamento permite volta de animais a mangue na Baía de Guanabara.Dos 2.460,85 quilômetros quadrados (k
🧭 O que isso muda para você
- Agricultores devem adotar sistemas agroflorestais para recuperar solos degradados.
- Pesquisadores podem usar os dados da UFF para mapear áreas prioritárias de restauração.
- Entusiastas de plantas podem plantar espécies nativas como restinga para estabilizar encostas.
- Gestores públicos podem criar corredores ecológicos ligando fragmentos de vegetação.
Contextualização do tema e relevância para botânica
A zona costeira do estado do Rio de Janeiro, especialmente o litoral norte fluminense, é um mosaico de ecossistemas frágeis – restingas, manguezais, dunas e florestas de baixada. Essas áreas desempenham papel crucial na fixação de solo, ciclagem de nutrientes e abrigo da biodiversidade. Porém, um estudo inédito da Universidade Federal Fluminense (UFF), que analisou quatro décadas (1980-2020) de imagens de satélite e dados de campo, revelou que 25% da região entre Búzios e São Francisco de Itabapoana está em situação instável. A pesquisa aponta o desmatamento associado à pecuária extensiva e ao cultivo de café como os principais vetores de degradação. Esse cenário ameaça diretamente a vegetação nativa, como as espécies de *Restinga* (ex.: *Eugenia* spp., *Clusia fluminensis*) e remanescentes de Mata Atlântica.
Mecanismos e descobertas
O estudo mapeou a perda de cobertura vegetal em 2.460,85 km² e identificou que a erosão acelerada decorre da remoção da camada superficial do solo, expondo horizontes mais pobres e compactados. A pecuária, com pisoteio constante, e o café, cultivado em encostas sem terraceamento, reduzem a infiltração de água e aumentam o escoamento superficial. Além disso, a expansão urbana desordenada – com construções em áreas de mangue e restinga – agrava a instabilidade, como visto em reportagens correlatas sobre construções indevidas na costa brasileira. A pesquisa também constatou que a perda de cobertura vegetal nativa reduz a capacidade de retenção de carbono e altera o microclima local.
Implicações práticas
Na agricultura, a recuperação do solo exige técnicas como plantio direto, rotação de culturas e integração lavoura-pecuária-floresta. Para a conservação ambiental, o reflorestamento com espécies nativas (ex.: *Schinus terebinthifolia*, *Tabebuia cassinoides*) pode estabilizar encostas e recuperar a biodiversidade. A saúde pública também é afetada, pois a erosão costeira aumenta o risco de deslizamentos e contaminação de aquíferos. Espécies de mangue como *Rhizophora mangle* e *Laguncularia racemosa* são essenciais para proteger a linha de costa, mas estão ameaçadas.
Aplicação no Brasil ou regiões tropicais
O caso do litoral norte fluminense é emblemático para todo o Brasil, onde a zona costeira abriga 26% da população e sofre pressão similar. Regiões como o Nordeste (ex.: litoral de Alagoas, com retorno de elefantes-marinhos) e a Baía de Guanabara (com reflorestamento de manguezais) mostram que a recuperação é possível, mas exige planejamento. O estudo serve de alerta para que outras áreas tropicais adotem zoneamento ecológico-econômico.
Próximos passos
A equipe da UFF planeja expandir o monitoramento para toda a costa fluminense e desenvolver modelos preditivos de erosão. Também serão testadas técnicas de bioengenharia com gramíneas nativas (ex.: *Spartina alterniflora*) e árvores fixadoras de nitrogênio para acelerar a recuperação do solo. A criação de unidades de conservação e a fiscalização do desmatamento são urgentes.
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