Finep financia estruturação da cadeia produtiva da malva na Amazônia

Fibra amazônica vai substituir algodão e gerar renda para ribeirinhos.

Malva, planta nativa da Amazônia, terá cadeia produtiva estruturada para fabricação de têxteis.

Em 3 pontos

  • Finep financia projeto para estruturar a cadeia produtiva da malva na Amazônia.
  • Fibra da malva é extraída por famílias ribeirinhas e usada em têxteis.
  • Projeto visa introduzir tecnologias para melhorar produtividade e condições de trabalho.
Finep financia estruturação da cadeia produtiva da malva na Amazônia

Um projeto de estruturação da cadeia de produção da malva, planta nativa da Amazônia, será financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A fibra da malva é extraída por famílias ribeirinhas e utilizada na fabricação de têxteis. O projeto foi proposto pela Companhia Têxtil de Castanhal (CTC), empresa que atua há 40 anos no estado do Pará, desenvolvendo produtos a partir da juta. Notícias relacionadas:Procuradoria da Fazenda Nacional passa a cobrar dívidas com o FGTS.Petrobras reduz preço do querosene de aviação em 14,2% .FMI destaca resiliência da economia brasileira e projeta PIB de 2,5%.O projeto visa introduzir tecnologias que melhorem as condições de trabalho, aumentem a produtividade e possibilitem a produção de têxt

Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil 1 de junho às 18:27

🧭 O que isso muda para você

  • Agricultores podem diversificar renda cultivando malva em áreas de várzea.
  • Pesquisadores podem estudar melhoramento genético da malva para aumentar resistência e produtividade.
  • Indústria têxtil pode substituir fibras sintéticas por malva, reduzindo impacto ambiental.
  • Comunidades ribeirinhas podem se organizar em cooperativas para processamento e venda da fibra.
Atualizado em 01/06/2026

Contexto e Relevância para Botânica

A malva (Urena lobata) é uma planta nativa da Amazônia, pertencente à família Malvaceae, que produz fibras longas e resistentes, tradicionalmente extraídas por famílias ribeirinhas para fabricação de cordas, sacarias e tecidos rústicos. Sua importância ecológica reside na adaptação a solos de várzea, com ciclo curto de 4 a 6 meses, e na capacidade de fixar nitrogênio, contribuindo para a fertilidade do solo. O financiamento da Finep, vinculada ao MCTI, para estruturar a cadeia produtiva da malva representa uma oportunidade de valorizar um recurso genético nativo, reduzir a pressão sobre espécies ameaçadas e promover a bioeconomia na região.

Mecanismos e Descobertas

O projeto, proposto pela Companhia Têxtil de Castanhal (CTC), que há 40 anos trabalha com juta (Corchorus capsularis), visa introduzir tecnologias de beneficiamento, como descorticadores mecânicos e sistemas de secagem solar, que aumentam a eficiência da extração da fibra. A malva possui fibras com comprimento médio de 2 a 4 metros, teor de celulose em torno de 60% e resistência à tração comparável à da juta, mas com maior maciez, o que a torna adequada para tecidos finos. Pesquisas anteriores indicam que o cultivo consorciado com espécies como açaí (Euterpe oleracea) e cupuaçu (Theobroma grandiflorum) pode melhorar a renda e a sustentabilidade.

Implicações Práticas

Na agricultura, a malva pode ser integrada a sistemas agroflorestais, especialmente em áreas de várzea do Pará e Amazonas, onde a fibra é colhida manualmente. Para o meio ambiente, a substituição de fibras sintéticas (poliéster) por malva reduz a pegada de carbono e a poluição por microplásticos. Na saúde, tecidos de malva são hipoalergênicos e respiráveis, adequados para vestuário e artigos hospitalares. Em ecossistemas, o cultivo de malva em áreas degradadas pode recuperar solos e fornecer habitat para polinizadores.

Espécies de Plantas Envolvidas

Além da malva (Urena lobata), o projeto pode envolver juta (Corchorus capsularis) e outras malváceas nativas, como a guaxima (Urena sinuata).

Aplicação no Brasil ou Regiões Tropicais

No Brasil, a malva é cultivada principalmente no Pará e Amazonas, com potencial de expansão para o Nordeste (Maranhão, Piauí) e Centro-Oeste (Mato Grosso), onde há áreas de várzea e mão de obra disponível. O projeto pode gerar emprego para 2.000 famílias ribeirinhas e fortalecer a indústria têxtil local.

Próximos Passos da Pesquisa

O financiamento permitirá: • instalação de unidades de beneficiamento em comunidades; • capacitação de agricultores em boas práticas de cultivo e colheita; • testes de tecelagem com fibras de malva para produção de tecidos comerciais; • parcerias com universidades (UFPA, UFRA) para melhoramento genético e controle de SAIs; • desenvolvimento de certificação orgânica e de comércio justo para acesso a mercados internacionais.

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