Bioeconomia em áreas degradadas cria produção sustentável no Pará

Pastagem degradada vira floresta produtiva de cacau no Pará.

Sistemas agroflorestais restauram áreas degradadas e geram renda com cacau.

Em 3 pontos

  • A Belterra Agroflorestas converte pastagens degradadas em sistemas agroflorestais.
  • O cacau é cultivado sob sombra de bananeiras e espécies nativas.
  • O projeto recebe apoio da Vale e do BNDES via Fundo Clima.
Bioeconomia em áreas degradadas cria produção sustentável no Pará

Em uma antiga área de pasto, na zona rural de Canaã dos Carajás, no Pará, está instalada uma fazenda-laboratório da Belterra Agroflorestas. É nesta fazenda, chamada de São Francisco, que a Belterra desenvolve um trabalho de restauração de pastagens por meio de um sistema agroflorestal (SAF) para o cultivo de cacau. Nesse sistema agroflorestal, próximo à Floresta Nacional dos Carajás, diferentes culturas coexistem. O plantio de bananeiras, por exemplo, é usado para criar um ambiente favorável, com bastante sombra, para o crescimento do cacau e das espécies florestais.  Apoiada pela Vale desde 2020 e, mais recentemente, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do Fundo Clima, a Belterra é um exemplo de empresa que começou como startup e

Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil 27 de abril às 15:49

🧭 O que isso muda para você

  • Agricultores podem implantar SAFs com cacau para restaurar pastagens.
  • Pesquisadores podem estudar a interação entre bananeiras e cacau no microclima.
  • Entusiastas podem replicar o modelo em pequenas propriedades tropicais.
  • Empresas podem investir em bioeconomia com crédito de carbono.
Atualizado em 27/04/2026

Contexto e Relevância

A restauração de áreas degradadas é um dos maiores desafios da botânica e da ecologia aplicada. No Pará, a conversão de pastagens improdutivas em sistemas agroflorestais (SAFs) demonstra como aliar produtividade e conservação. A iniciativa da Belterra Agroflorestas, na fazenda São Francisco em Canaã dos Carajás, é um exemplo concreto de bioeconomia que recupera solos, sequestra carbono e gera renda.

Mecanismos e Descobertas

O sistema utiliza o plantio de bananeiras (*Musa* spp.) para criar sombreamento inicial, favorecendo o desenvolvimento do cacau (*Theobroma cacao*) e de espécies florestais nativas. As bananeiras funcionam como cultura de serviço, protegendo as mudas de cacau do estresse hídrico e térmico, enquanto as árvores nativas fornecem biodiversidade e estrutura de longo prazo. O manejo integrado permite a ciclagem de nutrientes e a melhoria da matéria orgânica do solo.

Implicações Práticas

  • Agricultura: O modelo pode ser replicado em propriedades rurais de todo o Brasil, especialmente na Amazônia e Mata Atlântica, substituindo pastagens degradadas por sistemas produtivos.
  • Meio Ambiente: Os SAFs restauram serviços ecossistêmicos, como regulação hídrica, sequestro de carbono e conservação da fauna.
  • Saúde e Economia: O cacau de qualidade agrega valor à produção, enquanto a diversificação reduz riscos financeiros para o agricultor.

Espécies Envolvidas

Além do cacau (*Theobroma cacao*) e da bananeira (*Musa* spp.), o sistema inclui espécies florestais nativas da região, como ipê, mogno e castanheira, que contribuem para a estrutura do dossel e a biodiversidade.

Aplicação no Brasil

O Pará, com vastas áreas de pastagens degradadas, é um laboratório natural para SAFs. O projeto da Belterra, apoiado pela Vale e pelo BNDES (Fundo Clima), mostra que é possível aliar restauração e produção em regiões tropicais. A bioeconomia surge como alternativa ao desmatamento, gerando emprego e renda no campo.

Próximos Passos

A pesquisa deve focar em: (1) otimizar o arranjo espacial das espécies para maximizar produtividade e carbono; (2) avaliar a viabilidade econômica em diferentes escalas; (3) monitorar a regeneração da biodiversidade ao longo do tempo; e (4) desenvolver políticas públicas que incentivem a adoção de SAFs em larga escala.

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