Açúcares de tricomas de tomate silvestre inibem lagartas minadoras e de vida livre
Tomate silvestre tem açúcar que envenena lagartas por dentro das folhas.
Acilaçúcares de tricomas do tomate silvestre são transportados para dentro das folhas e matam lagartas minadoras.
Em 3 pontos
Pesquisadores descobriram que os acilaçúcares produzidos pelos tricomas do tomate silvestre Solanum pennellii são eficazes contra a traça-do-tomateiro (Phthorimaea absoluta), mesmo quando as larvas se alimentam no interior das folhas. Análises de alta resolução mostraram que esses compostos são translocados para o mesofilo foliar durante a infestação. A descoberta é crucial para a agricultura, pois revela um mecanismo natural de defesa que pode ser explorado no melhoramento genético do tomate cultivado. Além disso, identificou-se o transportador SpABCB5 como responsável por esse processo, abrindo caminho para o desenvolvimento de variedades mais resistentes a SAIs sem uso de pesticidas.
🧭 O que isso muda para você
- Melhoramento genético do tomate cultivado para expressar o transportador SpABCB5 e produzir mais acilaçúcares.
- Uso de extratos de S. pennellii como bioinseticida em cultivos de tomate.
- Desenvolvimento de variedades de tomate resistentes sem necessidade de pesticidas sintéticos.
- Aplicação em outras culturas atacadas por lagartas minadoras, como batata e berinjela.
Contexto e relevância para a botânica
A traça-do-tomateiro (Phthorimaea absoluta) é uma SAI devastadora que causa perdas significativas na produção de tomate no Brasil e em regiões tropicais. O controle químico é caro e prejudicial ao ambiente, tornando urgente a busca por defesas naturais. Pesquisadores descobriram que o tomate silvestre Solanum pennellii possui tricomas glandulares que produzem acilaçúcares, compostos que inibem o desenvolvimento de lagartas, mesmo quando elas se alimentam no interior das folhas (minadoras). Essa descoberta é crucial para a botânica, pois revela um mecanismo de defesa sistêmico pouco conhecido.
Mecanismos e descobertas
Análises de alta resolução mostraram que, durante a infestação, os acilaçúcares são translocados dos tricomas para o mesofilo foliar, onde as lagartas se alimentam. O transportador SpABCB5, identificado como o responsável por esse processo, permite que os compostos atinjam o local da infecção. Esse mecanismo natural de defesa é eficaz contra lagartas de vida livre e minadoras, pois os acilaçúcares atuam como inibidores alimentares e tóxicos.
Implicações práticas
• Agricultura: Possibilidade de desenvolver variedades de tomate (Solanum lycopersicum) que expressem o transportador SpABCB5, aumentando a resistência à traça sem uso de agrotóxicos.
• Meio ambiente: Redução da aplicação de pesticidas, proteção de polinizadores e menor contaminação do solo e água.
• Saúde: Alimentos mais saudáveis, com menos resíduos químicos.
• Ecossistemas: Uso de bioinseticidas naturais à base de extratos de S. pennellii, beneficiando agricultores familiares e orgânicos.
Espécies envolvidas
A espécie silvestre Solanum pennellii é a fonte dos acilaçúcares, e o tomate cultivado (Solanum lycopersicum) é o alvo do melhoramento genético. Outras solanáceas como batata (Solanum tuberosum) e berinjela (Solanum melongena) também podem se beneficiar.
Aplicação no Brasil ou regiões tropicais
No Brasil, a traça-do-tomateiro é uma SAI-chave em todas as regiões produtoras. A descoberta pode ser aplicada diretamente no melhoramento de variedades adaptadas ao clima tropical, reduzindo perdas e custos. Além disso, o uso de bioinseticidas pode ser integrado ao manejo ecológico de SAIs (MIP), especialmente na agricultura familiar.
Próximos passos da pesquisa
Os cientistas pretendem clonar o gene SpABCB5 e inseri-lo em variedades comerciais de tomate, testando a eficácia em campo. Também investigarão se outros transportadores podem ampliar o espectro de ação contra diferentes SAIs. Estudos de segurança alimentar e impacto ambiental serão realizados antes da liberação comercial.
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