Nestlé está matando a água mineral de São Lourenço – MG

Hidropirataria nas águas de São Lourenço, MG

por Carolina Daemon Oliveira Pereira

O problema descrito no Flow, acontece aqui debaixo dos nossos narizes.

Raro o brasileiro que não conhece São Lourenço e seu Parque de Águas Minerais.

Há alguns anos, a Nestlé comprou o Parque junto com o direito de exploração das fontes de águas minerais, numa iniciativa da empresa em lançar-se ao mercado crescente de águas minerais de boa procedência para o público das classes A e B, criando assim a Nestlé Waters.

A Nestlé Waters já é líder no setor em todo mercado nacional com quatro marcas, as 4 mais importantes do país: Nestlé Aquarel, Petrópolis, São Lourenço e Perrier. O que a longo prazo abre margem para formação de um cartel e monopólio de comercialização e exploração.

A população local está mobilizada, entrando com ações junto ao Ministério Público no bem organizado Movimento Pró-Circuito das Águas, o que está contecendo em São Lourenço:

Hidropirataria

“Como se desencadeia a pirataria nos serviços públicos de água?

A Constituição não outorga valor econômico para a água mas os piratas, de alguma forma, conseguiram que fosse aprovada uma Lei, na Câmara, em que a água passou a ser considerada “um recurso natural, dotado de valor econômico” ou seja: a água passou a ser mercadoria, legitimando variados absurdos na gestão das águas que, como direito, deveria ter administração comunitária.

Um serviço de água com toda a rede construída, estações de tratamento com ótimo padrão, qualidade na execução dos serviços, de repente, sem discussões, é privatizado. Vimos isso em muitos municípios, com estratégias ilegais num total desrespeito ao principio da indisponibilidade do interesse público. “Próprios de coletividade não podem ser alienados, ao bel prazer, pelos que têm a obrigação de defendê-los pois estão confiados à sua guarda e realização.”

Num município, um grupo chega nas instalações de água da empresa estatal e diz que veio assumir os serviços. Interrogado, não possuia ordem judicial, autorização do governo ou prefeitura mas assumiu com oferta de lugar garantido na empresa privada, para os principais funcionários. Em outro município um decreto em duplicidade, um para a administração do cemitério local e outro para um consórcio (com estrangeiro-cartel) assumir os serviços de água, permitiu a pirataria. Na maioria dos municípios aparece uma Lei das águas que faz a concessão por 30 anos com isenção de impostos.

Tudo isso é pirataria – Hidropirataria.

Minoritários nas ações da empresa, um estranho acordo de acionistas os permite assumir o controle administrativo e financeiro. É o caso da SANEPAR, reincorporada para a administração do Estado, na Justiça, pelo Governador Roberto Requião. Foi neutralizada uma hidropirataria da Vivendi, em que o consorcio minoritário incluía o próprio Banco Mundial (CFI).

Que dizer ante o fato da produção de um quilo de soja exigir 100 litros d’água. Assim, um caminhão cheio de soja arrasta, atrás de si, 100 caminhões de água. Hidropirataria.

Além da água para a planta, há desmatamento, com destruição do cerrado, alterações dos lençóis freáticos, contaminação com herbicidas à base de fósforo que provocam alterações no ciclo biológico dos rios.

A soja é exportada por empresas estrangeiras (principalmente Bunger) que recebe os pagamentos após arrecadar as produções a preços mínimos, pois tem poder para controlar as cotações do mercado. Há isenções de impostos nas exportações e boa parte vai ser ração de bicho no exterior.

Resultado: gigantesca hidropirataria. Apropriam-se da nossa água, exportam sem nenhum beneficio para o país.Que tal encher comportas de navios, na Amazônia, para levar água para os “paraísos” turísticos no Caribe? Piratas chegam e levam a água. Engarrafam água do serviço público e vendem como água mineral – Leiam os rótulos e não usem esta água.

Isto não é Hidropirataria?

Desviam água do consumo humano para irrigações de fruteiras e criações de camarão para exportação isenta de impostos. Pirateado, como reclamar?

Alerta! Não podemos cair na situação que já aparece em alguns municípios com a água privatizada por concessionárias dominadas pelas corporações transnacionais do cartel.”

Para se informar ainda melhor, o site da empresa sobre responsabilidade social, cujo discurso passa ao largo da exploração da água, e o movimento internacional Baby Milk Action que estimula o boicote à empresa relatando práticas abusivas no mundo todo e promove abertamente um mundo “livre da Nestlé” estimulando às mulheres a amamentar seus filhos com campanha de petição on-line.

O Flow está disponível sem legendas e dublagem no Youtube, mesmo que você não entenda uma palavra de inglês, assista para que as imagens o convençam.

Leiam também o email denúncia de moradora da região e como no Ceará, a Ypioca secou uma lagoa de reserva indígena e perdeu certificação orgânica.

Fonte: [ CAROL DAEMON ]


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Autor: Anderson Porto

Desenvolvedor do projeto Tudo Sobre Plantas

4 comentários em “Nestlé está matando a água mineral de São Lourenço – MG”

  1. Há anos que conheço esta história e acompanhho o desenrolar dos acontecimentos e os fatos que toda hora aparecem sobre a Nestlè.

    A coisa é tão bizarra que chega a ser inacreditável.

    Em 2007, a ONG “Déclaration de Berne”, que faz um monitoramento das ações do comportamento de multinacionais, indicou a Nestlé como uma das piores empresas do mundo.

    Foi a “Déclaration de Berne” que patrocinou um antológico processo judicial (e político) contra a Nestlé, nos anos 70, por causa das suas práticas predatórias de promoção de seus leites artificiais para bebès na Africa, usando “promotoras” vestidas de enfermeiras, que distribuíam os produtos e mamadeiras, nas maternidades.

    Em 2007, a ONG incluiu a Nestlé (que já é cliente da listinha de indicados!) por causa de:

    1. Política incorreta de preços; problema de comercialização de leite infantil; graves violações do direito do trabalho, água potável rara utilizada pelo comércio.

    2. Condições injustas de trabalho no Japão; violações de determinações da OCDE; tentativas de se subtrair do trabalho sindical.Indicação do Nestlé.

    3. Por convencer as mulheres a não amamentar seus bebês, a amamentação diminuiu na China, repetida violação das regras de comerciailzação.

    4. A água mineral húngara Cédrus não provém de uma fonte natural, oferece informações mentirosas aos consumidoes.

    5. A transnacional não sabe comunicar diante de críticas

    6. Embalagens de chocolate poluem o meio ambiente; importação de água da Alemanha são um contra-senso ecológico.

    E ela ainda continua a sugar descaradamente a água de São Lourenço?

  2. QUAL SERIA ESSA FONTE PRIMAVERA QUE CONSTA NO SITE OFICIAL DA NESTLÉ? AO QUE TUDO INDICA É EM SÃO PAULO MAS NÃO HÁ MAIS NENHUMA INFORMAÇÃO.

Os comentários estão desativados.

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